XVII Encontro de Comunicação e Letras lota auditório no primeiro dia

Por Allan Batista, Ana Carolina Maciel, Ana Laura Bagatini, Ana Luiza Guerbali, Anna Beatriz Fogaça, Domitila Parreira Araujo, Esther Vitória, Flávia Fernandes, Fernanda Falcon, Fernanda Rossini, Gabriel Vieira, Gabrielle Felix, Isabela Vitiello, Kayane Estrela, Larissa Maria, Letícia Juang, Luiza Paniagua, Maísa Pastore, Marcela Aguiar, Vinicius Robassini e Vitoria Cristina Zamboti.

A 17ª edição do Encontro de Comunicação e Letras, do Centro de Comunicação e Letras (CCL), da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) teve início nesta quarta-feira, 19 de outubro, e lotou o auditório do edifício Reverendo Wilson na abertura. O tema desta edição chama a atenção para o profissional como agente de transformação social e a mesa inaugural foi aberta pelo professor Thiago Pereira da Costa, coordenador geral do evento. 

O professor do curso de Publicidade e Propaganda apresentou os palestrantes e falou sobre a importância e a amplitude do encontro. Em seguida, a Pró-Reitora de Graduação da UPM, professora Janette Brunstein, comentou sobre o que considera ser a proposta principal do evento: fazer com que o estudante, e futuro profissional, pense de forma crítica, enquanto busca compreender os acontecimentos do passado e o impacto para o futuro, na construção social de cada indivíduo.     

A primeira palestra do dia foi para abrir o apetite geral do encontro, com a temática “Jornalismo, Letras e Marketing Gastronômico: a receita perfeita para Comunicação”. Com o auditório lotado, Arnaldo Lorençato, professor da UPM e jornalista da revista Veja São Paulo, iniciou dizendo que o princípio de tudo é o texto e as pessoas são capazes de adaptar-se e reinventar-se mesmo com toda a tecnologia à disposição.

Em seguida, foi abordado o tópico dos novos críticos, os chamados apresentadores de situação, aqueles que possuem seguidores e engajamento nas redes sociais. Lorençato comentou sobre a importância dos influenciadores e o potencial de impacto social que eles têm ao fazer com que conhecimento chegue para todos. Contudo, defendeu a importância de uma especialização crítica.

A seguir, Fernanda Oliveira, vice-campeã da 9ª temporada do Masterchef Brasil, além de contar sobre sua transição da área da engenharia civil para a gastronomia, explanou também sobre suas experiências nos bastidores do programa. Segundo ela, o contato com os jurados era restrito para que não houvesse a criação de vínculos afetivos que pudessem influenciar o desenvolver reality show, fator complementado por Lorençato.   

Fernanda ainda comentou sobre como o programa abriu portas para ela na gastronomia, mas que ainda tem um longo processo de aprendizagem para ser considerada uma chef.

Após a abertura, outras mesas deram a dinâmica do evento e uma delas nos lembrou os cem anos de rádio no Brasil, data comemorada no dia 7 de Setembro. 

A mediação ficou por conta do professor de jornalismo, Daniel de Thomaz, e contou com a participação do jornalista e professor, Heródoto Barbeiro, atualmente comentarista da Record News e âncora da Nova FM, além do professor Nilo Frateschi Jr. e do radialista Fernando Vítolo. 

O legado das rádios através do Podcast, marketing, merchandising, cidadania, ética e regulamentação da mídia foram alguns dos temas debatidos no encontro.

Heródoto enfatizou a importância da responsabilidade na profissão de um jornalista. “Quando as ferramentas do jornalismo são bem usadas, elas contribuem para que a sociedade seja mais democrática e livre. O Jornalista deve educar as pessoas a exercerem melhor sua cidadania.” Heródoto refletiu sobre a importância de um bom jornalista conhecer a legislação e indagou: “Quantos jornalistas leram a Constituição Brasileira? Cidadania é a missão fundamental dos jornalistas.”  Ressaltando, em sua opinião, a urgência de avaliar quais meios de comunicação estão contribuindo para a educação dos cidadãos. “Nada contra opinião, desde que ela seja transparente e que não seja manipulada de maneira a criar narrativas que nos façam perder a credibilidade – a coisa mais importante que o jornalista tem. É a única coisa que ele tem para vender: sua credibilidade.” 

O professor e mediador da conversa, Daniel de Thomaz, aproveitou o raciocínio do convidado para levantar uma pergunta: “Com o aumento expressivo do uso de smartphones, algo em torno de 400%, de acordo com as pesquisas, todas as mídias estão migrando para o celular, onde quem manda é a inteligência artificial. Na relação entre a credibilidade do jornalismo e a lógica dos algoritmos, é possível fazer esse jornalismo mais educativo, e, mais que isso, uma regulamentação das informações?” Fernando Vítolo levantou a questão sobre quais tipos de regulamentação estava-se falando, pois as redes sociais são plataformas privadas e não concessões. Fernando citou ainda a China como exemplo de país onde há regulamentação e a ferramenta de busca do Google não é utilizada (sendo substituída por outros sites de busca, como Yahoo e Baidu.  

Heródoto comentou, de acordo com sua visão, que todas as pessoas têm o direito de defender suas crenças e opiniões. 

Na sessão de perguntas da plateia, Fernando Vitolo foi questionado sobre a possibilidade das radionovelas fazerem sucesso hoje em dia, e comentou sobre a possibilidade de, em breve, observarmos podcasts apostando neste formato. “Podemos nos recordar do podcast “A Mulher da Casa Abandonada”, de Chico Felitti, que surgiu como uma websérie nas plataformas de streaming”, diz.

Parte integrante do Encontro, aconteceu o 1º Encontro do Fórum Especial de Copa do Mundo, que contou com a apresentação e moderação dos alunos Larissa de Oliveira Martins e Davi Costa, ambos do curso de Publicidade e Propaganda, com o professor da UPM, Anderson Gurgel, além de Juliana Tranjan, coordenadora de marketing insights da MindMiners, e Adalberto Leister Filho, diretor de conteúdo e colunista do site Máquina do Esporte, além de ter atuado em vários canais de mídia no Brasil.

Juliana falou um pouco sobre a MindMiners, uma startup  de tecnologia e marketing voltada para pesquisa e análise de comportamento humano, e apresentou o contexto geral do estudo de caso que eles fizeram sobre a Copa do Mundo. No estudo, concluiu-se que o futebol deixou de ser apenas esporte há muito tempo, no Brasil. “Futebol é paixão, democracia, conexão com o público, política, identidade, além de ser o esporte mais consumido no Brasil”, diz Juliana.

O estudo procurou entender se todos os brasileiros gostam de futebol e do Mundial. Muitos dizem gostar de Copa do Mundo, mas não acompanham futebol. Outros, são os chamados simpatizantes e fanáticos por futebol, aqueles que gostam do esporte e acompanham o mundo da bola. As pesquisas mostraram ainda que o gosto por futebol começa na infância, por influência da família, ou seja, a cultura do futebol é algo tradicional para os brasileiros. 

O estudo também buscou entender se, para o público, o futebol está mudando, ou não. Para uma maioria, o futebol está mudando devido a alguns fatores, como o marketing e a violência no esporte.

Para Adalberto Leister, este é um momento diferente para se ter uma Copa do Mundo, principalmente pelo processo eleitoral que o Brasil está passando. Com isso, o foco muda e não existe ainda o famoso “clima de Copa”. Além de que, neste ano, segundo ele, o fato do Mundial ocorrer no Oriente Médio, com diversas limitações para quem está fazendo a cobertura do evento e para o próprio público chegar até lá, dificulta o engajamento.

Na parte da tarde, dois paineis reiniciaram o Encontro. Na segunda mesa do dia sobre Copa do Mundo, Beth Romero, jornalista e criadora do canal “Se Joga Beth”, William de Lucca, jornalista, ativista LGBTQIA+ e apresentador do “Nos Armários dos Vestiários”, e Marcio Lazaro, produtor e criador do Fut-Encontro, estiveram presentes. “Copa do mundo: geopolítica, identidades e ódios no futebol” foi o tema do bate-papo, que trouxe assuntos importantes como as transformações sociais e a importância da diversidade no mercado da comunicação esportiva. 

O país sede da Copa do Mundo de 2022, o Catar, foi muito comentado pelos jornalistas, que levantaram a questão da homofobia, já que, no país, a homossexualidade pode levar até mesmo à pena de morte. Foram questionadas as atitudes das principais organizações esportivas, dos países e dos clubes frente a esse fato, e como o preconceito ainda é algo muito presente não somente nos campos, mas também nos jornais esportivos, algo que fica claro quando William compartilha com a plateia suas experiências.

Também o espaço para a mulher na imprensa esportiva  foi tema de debate. “Acho que tem espaço para as mulheres se a gente buscar atividades para além do trivial, ou seja, apresentação e reportagem”, destacou Beth Romero. Como exemplo, citou Renata Silveira, que irá entrar como comentarista na Copa do Mundo. Além disso, Beth ressaltou a importância do esporte na sociedade, uma profunda ferramenta de transformações sociais, na educação, cultura e meio ambiente.    

Já o futebol como força política foi consenso entre todos os palestrantes. Marcio Lázaro defendeu a importância da inserção de discussões pela população em geral e não somente pelas empresas, que muitas vezes se utilizam desses discursos para se promoverem, por exemplo, com campanhas de racismo. “São importantes, mas muitas vezes não fazem mudanças efetivas na sociedade”.

O Fórum sobre a Copa do Mundo é resultado de um projeto integrador, como explicam o professor Anderson Gurgel e a aluna envolvida, Chiara Kulay, nos áudios abaixo.

O esporte como ferramenta de transformação social

“Telejornalismo e mídias sociais” foi o tema do painel conduzido pela jornalista Rosângela Lara, diretora executiva da BandNews. Rosângela iniciou a mesa contando sobre os projetos ao longo de sua carreira, iniciada na televisão e que teve continuidade no universo digital, ambiente que impactou completamente a maneira de se produzir notícias. 

Para ela, apesar de as redes sociais não poderem ser separadas do jornalismo, a essência dos repórteres não pode ser perdida, preservando as apurações para  combater as fake news. Assim, é necessário sempre checar as informações mesmo que se perca o “furo de reportagem”. 

Ao final, o público pode sanar dúvidas e interagir com a palestrante. Rosangela Lara quis saber dos muitos presentes quais as principais plataformas utilizadas por eles para se informar e o resultado foi conclusivo: as redes sociais.

Como é possível integrar a linguagem das redes com a televisão? Pergunta de milhões!

“Excelência, gestão, inovação, comprometimento e paixão. Tudo isso é uma receita de sucesso”, afirmou Juliana Pádua, consultora pedagógica que refletiu sobre as múltiplas facetas do profissional de Letras.  

Segundo Juliana, a literatura sempre esteve presente em sua vida, mas apenas se deu conta após o Ensino Médio. A consultora contou que começou a ler e escrever muito nova, com 4 anos de idade, por conta de sua mãe estimular a aprendizagem desde muito cedo. 

Para ela, há diversas áreas em que o profissional de Letras pode atuar, uma vez que seu domínio pela escrita abre portas para diversas oportunidades, como ensino, editoração, comunicação, pesquisa, roteiro e mercado. Juliana também expôs que sua iniciação científica foi focada no ensino de inglês, e usou depois para dar aula instrumental em cursos técnicos, onde o foco era a escrita. 

Ao longo de sua carreira, trabalhou em escolas públicas e privadas. A maneira como trabalhava, permitia propor às instituições maneiras para explorar as possibilidades de criação de textos, contos e paródias, quebrando a barreira do comum. Atualmente, Juliana realiza briefing de edital e candidatura de projeto, e, na parte de divulgação, parcerias com editoras. A palestrante afirmou que foi essencial fazer conexões ao longo de sua trajetória, uma vez que isso possibilitou o reconhecimento de seu trabalho. 

Por fim, a palestrante Juliana falou sobre a importância de não ter medo dos desvios e errâncias que podem ocorrer na trajetória dos estudos em Letras, uma vez que todo conhecimento terá sua importância e será utilizado em certo momento. Também, afirmou sobre a necessidade do profissional não deixar se levar pelas inovações que podem acabar sendo rasas e sem conteúdo, mas sim sempre ficar atento ao que está acontecendo.

Mediada pela professora Vanessa Oliveira, a mesa sobre ESG e live marketing contou com as presenças de Helo Santana e Dilma Campos. Ambas as convidadas explicaram os termos que deram o nome à palestra e, a fim de elucidar melhor o assunto, apresentaram seis casos recentes e premiados. 

Tornando-se um dos momentos mais emocionantes da mesa, Dilma compartilhou com o público campanhas publicitárias que foram capazes de mudar o mundo ao seu redor, como a campanha “Girls Who Code”, que incentivou meninas e mulheres a programarem, e “Morning After Island”, cujo objetivo de alterar a legislação hondurenha acerca da criminalidade da pílula do dia seguinte foi alcançado.

Outro destaque da mesa foi a simpatia das convidadas em compartilhar com a plateia um pouco de suas histórias e trajetórias. Encantando corações e mexendo em memórias, descobrimos que Dilma, além de sua carreira de bailarina, deu vida à eterna Patativa, do Castelo Rá-Tim-Bum. Ao final da palestra, Dilma deixou uma valiosa mensagem aos publicitários em formação: “quero todos vocês revolucionando o mundo. Olha o poder que vocês têm à mão!”.

Outras mesas de publicidade fizeram parte do primeiro dia de Encontro: “Os 8Ps do Marketing Digital que nunca contaram” (Henrique Shiotuqui) (imagem abaixo), “Direção de Mídia na Publicidade e Propaganda” (Piero Rossi e Gustavo Ono), “Mimos & Memes da Criação” (Fred Sekkel e Fernanda Leite), “Pesquisa, Metodologia e Inovação como Estratégia de Marketing na Comunicação” (Lucas Melo),  além do bate-papo com diretores do KondZilla Audiovisual (Kaique Alves e Gabriel Zerra) e da Premiação Projeto Profissional I, II e III e Concurso de Fotografia.

O XVII Encontro de Centro de Comunicação e Letras do Mackenzie seguirá nesta quinta-feira (20), com mais palestras para levar aos alunos mais das atividades exercidas por profissionais de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Letras.