Uma passadinha no GIBI Cultura Geek

Uma passadinha no GIBI Cultura Geek

Já ouviu falar em coleção de consoles de video game? E em coleções de HQs, bonecos e pôsteres? E já ouviu falar em tudo isso junto?

O GIBI Cultura Geek tem uma portinha modesta em uma das ruas da Vila Mariana, perto da faculdade Belas Artes e da ESPM. Porém, ao entrar, ele nos oferece uma riqueza interminável de detalhes. O bar, que divide espaço com uma loja de produtos geeks, é uma exposição de relíquias e referências ao mundo dos heróis da Marvel e DC, além de filmes clássicos e jogos memoráveis.

Tiago Almeida, de 37 anos, é o idealizador e um dos sócios do GIBI. Ele que nos recebeu com uma camiseta da ComicCon Experience e usava AllStar de velcro. Também fez questão de enfatizar que a primeira conferência, na realidade, aconteceu em 1994, onde ele estava presente. Além disso, nos contou como a ideia do GIBI Cultura Geek foi concebida: ele já tinha um emprego fixo, porém “a rotina de bater cartão me deixava de saco cheio”. Inicialmente, ele pensava apenas em abrir uma loja com sua coleção, mas um amigo chef de cozinha deu a ideia de abrir um bar, juntamente ao projeto inicial.

A localização do GIBI é perto da concentração de bares da Vila Mariana, mas incialmente, o local escolhido era a rua da Consolação, um dos pólos geek da cidade, porém os preços da área inviabilizaram o projeto. O que, no final das contas, foi bom para Tiago, “estou há 8 minutos da minha casa”.

Em todas as primeiras quintas-feiras do mês acontece o “Quanta gente no GIBI”, com professores da faculdade Belas Artes, participantes do Quanta, academia de artes, e que trabalham na Marvel ou DC. Outro evento fixo que acontece, é no segundo domingo do mês, um encontro de cosplays, para Tiago, esse encontro é mais uma opção para aqueles que curtem essa modalidade de fantasia, já que não há tanta opção de lugares propícios para tal.

No cardápio da casa, as opções de drinks são todas voltadas para o universo temático das séries, filmes e HQs. Desde a série Dexter até o filme Poltergeist e o desenho Meninas SuperPoderosas, a criação de cada conceito vem a partir dos chavões e cenas ou falas típicas de cada peça. O carro-chefe da casa na parte alimentícia é o cachorro-quente na baguete italiana que é assada na hora, em 6 minutos.

Na hora da música, o cliente pode escolher. Por meio do aplicativo Mokation, que imita um jukebox digital, escolhe-se uma música dentre as da playlist criada pelo grupo do GIBI, e adiciona-se à fila das que serão tocadas. Segundo Tiago, o bar foi o primeiro de São Paulo a aderir ao app, por meio de um acordo entre o criador e ele.

“Tem gente que se identifica muito, fala que parece o quarto delas, pergunta se pode morar aqui”, sorri o dono do lugar, ele que é o curador de todas as peças em exposição, contou que muda de tempos em tempos aquilo que expõe no estabelecimento. “Como é tudo meu, um dia levo uma coisa de volta para casa, trago outras, assim eu vou mudando, mas ninguém vê tudo o que tem aqui se vier uma vez só”. Os detalhes são tantos que dá para se perder no meio de tantas referências.

“Antigamente era ruim ser nerd”, disse Tiago sem muito entusiasmo, “mas hoje temos os geeks, que é basicamente a mesma coisa, só que mais descolado”, declara sobre a ascensão dos filmes baseados no universo dos heróis, e um pouco sobre o olhar que a maioria das pessoas tinham sobre os nerds. No final das contas, fica feliz por ter juntado o hobby ao ganha-pão, e reconhece que não tem nada melhor do que isso.