Filme “A origem” – Nem tudo é o que parece

Em continuação ao post da semana passada (um parabéns atrasado a Leonardo DiCaprio!), resolvemos aprofundar um dos filmes mais controversos do ator: A origem.

O longa-metragem com direção de Christopher Nolan gerou grande burburinho em sua época de lançamento e até hoje se discuti as possíveis interpretações.

Se você ama esse filme tanto quanto a gente, venha conhecer a teoria do professor de cinema Fernando Salinas da Universidade Presbiteriana Mackenzie!

 

                     ***SPOILER ALERT***

 

 

ATENÇÃO! Este post é inteiramente composto de spoilers, caso você ainda não tenha visto A origem (o que é chocante), vá logo assistir e só depois volte aqui! Vá… Mas volte!

 

 


CURIOSIDADES


Existem rumores na internet de que o nome Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) significaria “senhor dos sonhos” em sânscrito. Salinas disse que nunca conseguiu confirmar de fato essa teoria, mas, de qualquer forma, é certo que Cobb faz referência a Henry N. Cobb, um famoso arquiteto americano. O que faz muito sentido já que a personagem de DiCaprio é um “arquiteto de sonhos”.

Já o nome de Ariadne (Ellen Page) faz menção à Princesa Ariadne da mitologia grega. Segundo o mito, o rei Minos, de tempos em tempos, jogava um grupo de jovens em um labirinto, o qual refugiava em suas profundezas o faminto Minotauro. Porém, Teseu, um desses jovens aprisionados, decide não se render a tal destino e jura matar o terrível monstro, libertando a cidade de Antenas do sádico sacrifício. E é aí que entra a Princesa Ariadne, filha do rei. Apaixonada pelo herói , lhe entrega um fio de ouro para que possa encontrar seu caminho de volta após matar o Minotauro. A expressão “fio de meada” vem daqui.

Assim como no mito , a personagem do filme serve como fio condutor para o nosso herói da história, Dom Cobb.

 

A analogia do professor é a seguinte: Ariadne, obviamente, seria a Princesa Ariadne. Dom Cobb seria Teseu. E a Mal (Marion Cotilliard) do subconsciente de Cobb, projeção de sua culpa pela morte da esposa, representa o Minotauro.

 

 

 

 


O FINAL CONTROVERSO


 

E se nós te contássemos que na verdade a esposa de Cobb ainda está viva. De acordo com Salinas, essa seria uma das teorias mais aceitas pela crítica. Mal, na verdade, não teria enlouquecido e estaria correta por acreditar não estar vivendo no plano da realidade. Ao se jogar pela janela, portanto, conseguiu finalmente acordar. Deixando Dom preso no limbo, perdido em um labirinto de sonhos.

O filme inteiro seria uma missão em que se tenta inserir na mente de Cobb a ideia de que ele está sonhando. Assim, estando consciente de que está em um sonho, poderia “se matar” e, enfim, retornar a realidade.

 

Aqui vão algumas das pistas que evidenciam isso!

 

  • O TOTEM USADO POR COBB

No filme, Arthur (Joseph Gordon-Levitt) explica para Ariadne que não se pode usar o totem de outra pessoa, uma vez que ele é único e não funcionará com precisão nas mãos de outra pessoa.

Para quem não lembra, totem é um objeto pessoal que ajuda seu dono a saber se está acordado ou em uma falsa realidade.

Exemplo disso seria o peão de Dom Cobb. Se ele o girar enquanto estiver sonhando, o objeto nunca parará de rodar e assim terá a certeza de estar sonhando. No entanto, também descobrimos no filme que o peão é o antigo totem de Mal. WHAT?!

É isso mesmo! Se usar o totem alheio não funciona, então quer dizer que Dom provavelmente perdeu o dele. Algo que explicaria sua confusão mental. Sem seu totem, ele não teria como saber se está de fato acordado ou não.

 

  • A CENA NO PARAPEITO

Antes de pular, Mal faz de tudo para que Cobb se junte a ela. Olhando sob o ponto de vista dessa teoria, todas as atitudes de Mal e tudo o que ela fala são coerentes com o de uma mulher desesperada em resgatar seu marido.

Além disso, antes de se jogar do prédio, ela implora para que ele acredite nela: “I’m asking you to take a leap of faith“. Uma expressão da língua inglesa que se traduz em “eu estou te pedindo para que tenha fé em mim”.

Frase dita anteriormente por Saito (Ken Watanabe). “Do you want to take a leap of faith or became an old man, filled with regrets, waiting to die alone“. “Você prefere ter fé ou tornar-se um homem velho, cheio de arrependimentos, esperando para morrer sozinho.”

E, mais uma vez, na cena em que a personagem de DiCaprio tenta resgatar Saito de seu limbo, a frase é repetida pelo próprio Cobb. Na verdade, tudo não passaria de um plano para que Saito pudesse implantar essa ideia no subconsciente do protagonista.

Algo, no mínimo, curioso. Mas o professor Fernando Salinas deixa claro em suas aulas que nada no cinema é em vão.

 

  • VOLTE À REALIDADE, DOM

Se você prestar atenção, perceberá que mais de uma vez os amigos de Dom tentam alertá-lo de sua confusão mental.

Um exemplo disso é quando o protagonista busca ajuda do professor de arquitetura Miles (Michael Cane), pai do herói. No meio do diálogo, Miles solta a seguinte fala: “come back to reality, Dom“. Ou seja, “volte à realidade, Dom”. Sabendo dessa teoria, fica difícil ignorar o olhar de desalento do pai de Cobb.

 

 

 

 

 

 

 

 

No entanto, para Salinas, a cena que mais deixa claro a teoria é a que toma lugar nos fundos da loja de Yusuf (Dileep Rao). “Eles vêm para serem acordados. O sonho tornou-se a realidade deles”

 

 

 

 

 

 

 

 

  • A CASA NO PENHASCO

A primeira construção que nos é mostrada no filme é a de uma casa oriental sob um penhasco, a qual descobrimos mais tarde ser o limbo de Saito.

Na cenas finais, em que vemos, aparentemente, Dom de volta aos Estados Unidos, ele pergunta a seus filhos do que estavam brincando. Ao que o filho responde: “we’re building a house on the cliff”, “nós estamos construindo uma casa no penhasco.”

Alguma vez você já teve um sonho com aspectos do dia a dia, mas reconfigurados a situações irreais?

Segundo o professor Fernando Salinas, o reencontro de Cobb com os filhos não passaria de um sonho analógico e desconexo do protagonista. O que significaria que o peão não parou de rodar ao final do filme e que o sonho de Dom tornou-se a sua realidade.

 

 

E aí, o que achou dessa interpretação? O peão, no final, parou de girar ou não? Qual a sua teoria?

 

 

Venha conhecer mais sobre a história da Liga da Justiça!

Amanda Pickler

Curitibana, atriz e estudante de jornalismo. Amo uma boa música de fossa, filme europeu que ninguém entende e livro de sebo daqueles que cheira a mofo.