Um amor diferente

Quando se é criança, tudo que envolve correr e se divertir vale. E eu não era diferente. Era uma garota que quando perguntavam da minha matéria favorita no colégio, respondia Educação Física. Qualquer esporte valia, ainda mais por ser dividido entre garotos e garotas. Não que eu tivesse algo contra os garotos, mas eles levavam esporte a sério demais, eu só queria brincar. Mas aí com o passar do tempo, notei algo diferente em mim, minha grande vontade de vencer. E quanto mais essa vontade crescia, melhor eu jogava e mais me esforçava a fazer tudo direito, independente do esporte. Isso podia até soar um pouco competitivo, mas quem que não gosta de vencer e sentir que ajudou seu time e todos vibrarem de felicidade? Foi aí que, com 11 anos, escolhi fazer parte do time de vôlei do colégio. Eu podia até ser pequena, mas era rápida e muito agitada, e havia escolhido o vôlei por ele ser um dos que eu mais gostava. Com o passar dos treinos, percebi o que é adotar um esporte como sua grande paixão, e que minha escolha era mais do que certa.

Mesmo no começo e com muitas meninas bem mais velhas, eu me esforçava e ia para os treinos toda semana. Ficava feliz pelo resultado, acho que além da vontade de vencer e fazer tudo certo, nada valeria se não amasse tanto o que fazia, fazendo-me entender porque certas pessoas levam o esporte a sério.

Foi com 12 anos que passei a participar de jogos mais sérios, e percebi que aquilo que fazia era muito mais que esporte, era amor. Passei a considerar tudo o que fazia nos treinos com as coisas da vida (e minha pequena idade, claro). Aprendi com meu técnico que, na vida, além de só coisas boas, sempre vão acontecer coisas ruins, e não é porque era criança que não passaria por grandes problemas. E vi que no vôlei também era assim, além da felicidade, havia a tristeza. Nem tudo é como queremos, às vezes tropeçamos, erramos, perdemos.

No meu primeiro jogo titular, apenas fiz de tudo para dar o meu melhor. Mesmo que tivesse só 12 anos, lembro como se fosse ontem. Meus pais me assistiam, gritavam meu nome, o time adversário provocava, mas eu só prestava atenção em cada detalhe para não fazer nada de errado. Senti a dor de errar, perder, me decepcionar. Chorei, chorei muito quando vi que aquele não era o meu melhor. Vibrei, vibrei muito e me joguei no chão para não deixar a bola cair. Amei. Gritei. Senti coisas que só quem joga sente. Não desisti, fui até o fim.

Hoje, apesar do vôlei estar longe de minha rotina, posso dizer que fui feliz, e devo muito a ela todos os meus anos de treinos e sentimentos por algo que amava tanto. Esporte é coisa séria, e amor de verdade nunca deixamos o tempo levar.

Texto por: Marina Zilioli