Tempo perdido no tempo

Vejo o tempo (es)correndo em minhas mãos

e essa minha vontade de agarrá-lo

e de trucidá-lo.

Mas é um erro pensar que ele é o culpado.

Há quem o chame de cruel.

Mas não se engane, somos nós os encarregados.

 

Nós e nossas convenções.

Indecisões.

Desilusões.

O tempo, coitado, só passa,

bom vivant e boêmio.

 

Mas, sob minha vida vulgar, ordinária, nem tudo é tempo perdido.

Em brechas de mim mesma, sou feliz.

Como os seres irreais iluminados por um velho refletor quase estragado.

 

Nada é pior do que perder-se no labirinto de si mesmo.

Lá dentro, no obscuro da mente – como um buraco –

Escancaram-se nossos medos e nossos nojos de si mesmos.

 

Não, na maior parte do tempo, eu não sou fiel a mim mesma.

Mas sou fiel ao tempo

que sempre vai embora,

mas também está sempre indubitavelmente presente.

 

Meu amigo me disse, dia desses:

“Aí, quando você morrer, no juízo final, Deus vai te perguntar: quem é você? Eu não te trouxe ao mundo assim!

Ao que você vai responder:

Mas a humanidade me transformou.

Eu sou um produto do homem.

Eu sou um produto do tempo, aquele que sem nem notar, deixei passar.”

 

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Amanda Pickler

Curitibana, atriz e estudante de jornalismo. Amo uma boa música de fossa, filme europeu que ninguém entende e livro de sebo daqueles que cheira a mofo.