Tá me achando com cara de gringo?!

Do longo ao mini, do algodão ao tecido sintético, dos cabelos volumosos aos chapados. A moda muda, se transforma, inventa, reinventa, revoluciona – e se repete. Da influência europeia à busca por uma identidade nacional, a moda brasileira mudou radicalmente desde o tempo dos nossos bisavôs. Historicamente, não faz muito tempo que as mulheres só saiam de casa de vestido longo, luvas e sombrinha. O que diriam elas se vissem as pernas de fora de hoje (que nem chocam mais)? O que foi revolucionário antes hoje já é trivial, porque a revolução nos trouxe até aqui. 

Durante a Belle Époque as mulheres, no Brasil, se vestiam como se estivessem na Europa. Tudo o que era feito em Par
is, por exemplo, acabava caindo nos gostos dos brasileiros. Não era difícil ver mulheres com vestidos longos e homens de paletó e gravata no calor carioca. Foi só no período pós guerra que nós começamos a perder esse hábito de cachorrinho de gringo.

Ainda que todas as referências fossem majoritariamente europeias, as modelagens e tecidos começaram a ser adaptados ao corpo e ao clima do brasileiro. As roupas começaram a ser fabricadas aqui, o que diminuiu o custo de compra, fazendo com que mais pessoas adquirissem as peças que estavam em alta, como chapeuzinhos de crochê e vestidos com a cintura mais baixa e comprimentos menores.

A partir de 1930, os olhos são virados para as telas dos cinemas e os filmes, Hollywood principalmente, vira palco principal para as inspirações de tendências fashionistas. Os chapéus, que antes não saiam da cabeça das mulheres, começou a cair em desuso, substituído pelos tamancos, ideia trazida por Carmem Miranda, a portuguesa abrasileirada.

Só nos anos dourados, depois da segunda guerra, que o Brasil começa a abrir os olhos para os próprios estilistas. Dener Pamplona de Abreu, nascido no Pará, mas projetado no Rio De Janeiro, foi um dos pioneiros da moda no país. Prova é que, em 1963, ele foi escolhido como o estilista oficial da então primeira dama, Maria Teresa Goulart, esposa de João Goulart.

Mas só entre 1961 e 1975 que a moda começa a ter referências puramente brasileiras. Para a estudante de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Clara Lima, essa mudança a partir dos anos 60 se da, provavelmente graças ao período ditatorial, que engrenou muitos movimentos de orgulho nacional. “A tropicália, por exemplo, ainda que na parte da música, ajudou a moda brasileira a se encontrar”.

Para ela ainda, foi nesse período em que o Brasil começou a entender de marketing, o que facilitou a divulgação do novo momento da moda brasileira. Assim com, a partir dos anos 80, a moda começou a ser estudada de verdade e o estilismo começou a ser tido como objeto de estudo.

 

Quando saem os primeiros formandos das escolas de moda, começam a ser realizados os desfiles que vão legitimar os calendários de moda e, em seguida, começam a acontecer as semanas fashion. A abertura às exportações permite que o país receba tecidos estrangeiros de ótima qualidade. A partir desse momento, o Brasil começa a investir em sua própria identidade, buscando achar qual o nosso diferencial de concorrência no mercado.

Veja aqui como outros povos do mundo se comportam!

Texto por Raphaela Belinatti.

Isabella Massoud
Apaixonada por semanas de moda. Acredito que na vida, tudo tem uma razão e tempo certo para acontecer.