Shakespeare, U2 e rádio: as paixões de uma professora mackenzista

“Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”, diz a Professora Lenize Villaça, recitando Shakespeare, pois gosta de acreditar que a vida não começou aqui e nem terminará aqui.

Há 17 anos lecionando na Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Professora de 50 anos que dá aula de jornalismo cultural, cultura brasileira e audiojornalismo, tem seu amor declarado pelo rádio desde os 11 anos, quando começou a ouvi-lo. “O rádio é minha vida. Lembro-me da emissora repercutindo a morte de John Lennon e a partir daí entender a dimensão dos Beatles, por exemplo. Fui visitar a mesma emissora sozinha aos 15 anos e desde então sabia que queria trabalhar com esse segmento”

Trabalhou 10 anos seguidos em rádios comerciais no Paraná (Universidade FM, Alvorada e Norte) e em São Paulo (Capital) e há 17 anos vem acompanhando o rádio universitário como pesquisadora e professora, tanto no Mestrado quanto no Doutorado, e hoje é colaboradora da Rádio Web Mackenzie.

E dentro da própria Universidade, ela já viveu muitas aventuras, sendo a mais marcante o dia em que ela trouxe o recém-falecido jornalista e radialista Ricardo Boechat para a Semana de Comunicação, em 2005. “Fui buscá-lo pessoalmente na RTV Bandeirantes e viemos conversando muito no caminho. Já o acompanhava antes disso, desde a TV Globo.” Mas o fato mais marcante do dia ocorreu durante a palestra. Com uma plateia de mais de 200 pessoas, Boechat ficou falando por mais de 1 hora e 30 minutos sem parar e ninguém se levantava pra ir embora, vidrados com o palestrante. “Absolutamente ninguém saía do auditório ou ia embora. Todo mundo queria continuar a escutá-lo mais e mais. E ele continuou… por mais 1 hora. Foi um marco. Até ele ficou surpreso. Algo que nunca esqueci… e, agora, mais do que nunca”, completa.

Já sua maior loucura da vida foi ir em todos os shows em São Paulo da sua banda favorita, os irlandeses do U2. Ela já foi em 11 shows, sendo 2 em 1998, 2 em 2006, 3 em 2011 e 4 em 2017. E fala como é difícil: “Parece simples, mas, só quem sabe a rotina de se comprar ingressos ir até o local e chegar 7 horas antes, faça chuva ou faça sol e voltar no dia seguinte, sabe como é isso. Ao mesmo tempo enlouquecedor e a melhor sensação do mundo: ver seus ídolos pessoalmente”.

Quando perguntada onde ela se vê daqui 10 anos, a professora que gosta de Shakespeare não pensa duas vezes: “Ministrando aulas de rádio em universidades internacionais e continuando a pesquisar o rádio” e ressalta as mudanças que ele passou após o advento da internet e das plataformas digitais de mídia: “É muito interessante acompanhar as mudanças tecnológicas e, ao mesmo tempo, perceber que a emoção e a proximidade continuam presentes, tanto para o ouvinte como para quem trabalha na produção de programas de rádio. Ele é o meio eletrônico mais antigo do mundo e desde sua criação tem se reinventado e se mantido interessante e atual.” Na sua opinião, ele é mais essencial que outras mídias em vários momentos do dia, como na hora da mobilidade do ouvinte ou como para quem quer fazer mais de uma atividade e pode continuar a escutar o rádio, tanto em casa como em no trabalho, enquanto em outras mídias você tem que ter atenção o tempo todo.

Texto por Henrique Cesar