Setembro Amarelo & 13 Reasons Why: Como abordar o tema suicídio?

Texto: Patrícia Vilas Boas

Para continuar a série de posts da “Etc&Tal” sobre conscientização no mês de prevenção ao suicídio, hoje iremos falar de uma série que gera polêmica desde seu lançamento, em 2017, por tratar abertamente de temas delicados como o bullying, a depressão e o suicídio. 13 Reasons Why é mais uma das famosas produções da Netflix que procura apostar em assuntos polêmicos e pouco explorados nas tramas comerciais. Mas seria saudável expor o suicídio dessa forma?

A série norte-americana, em sua primeira temporada, conta a história de Hannah Baker (Katherine Langford), uma estudante nova na cidade que foi transferida para a Liberty High School após mudar de casa.

Ela passa por más situações em sua nova escola e não consegue lidar com as complicações que isso gera. Hannah comete suicídio e deixa 13 fitas contando os porquês de ter tirado sua própria vida.

A sequência de episódios é inteiramente narrada pela personagem por meio de suas gravações. De um jeito mórbido, a produção se empenha em abordar problemáticas que costumam afetar a vida de muitos adolescentes, mas com um grave erro: sem apontar uma solução.

Dentre os temas levantados pela trama estão a depressão, o bullying, o uso de drogas e o abuso sexual. Essas questões são desenvolvidas explicitamente. Cenas de suicídio, estupro e violência são retratadas sem muita restrição. Isso choca o espectador que, quando vulnerável, pode acabar se envolvendo demais com a situação da personagem.

Hannah Baker demonstrou sinais antes de cometer suicídio. A personagem explica isso em algumas de suas fitas. (Créditos: We heart it)

A polêmica foi maior após a publicação de um artigo no “Journal of The American Academy of Child and Adolescent Psychiatry“, este ano, indicando um crescimento de quase 30% no índice de suicídios nos meses posteriores ao lançamento da série, nos Estados Unidos.

No Brasil, estima-se que a cada 45 minutos alguém morre por suicídio. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), esse problema acomete principalmente os jovens, sendo a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos. Não coincidentemente, a mesma faixa etária dos personagens principais da série.

Por outro lado, é consenso entre os especialistas que falar abertamente sobre o tema traz mais segurança aos jovens para conversar com alguém sobre o assunto e os incentiva a procurar ajuda quando confrontados com sintomas de depressão e/ou pensamentos suicidas.

Apesar de toda a repercussão envolvendo 13 Reasons Why, a série já está em sua terceira temporada, com previsão de lançar a quarta em breve. Entretanto, desde sua primeira exibição, a Netflix vem fazendo algumas alterações para garantir que sua exibição não seja prejudicial aos espectadores. Por exemplo: ainda neste ano, a cena explícita de suicídio de Hannah Baker foi cortada da versão original, criou-se um site para auxiliar quem precisa de ajuda (13reasonswhy.info) e, no início de cada episódio, foi inserido um comunicado alertando sobre as cenas fortes da série, que não é recomendada para pessoas que estejam passando por momentos difíceis e/ou tenham predisposição a desenvolver transtornos de saúde mental.

Tyler Down (Devin Druid) sofre bullying no colégio e se sente intimidado dentro do ambiente escolar. (Créditos:We heart it 

O que é fato: precisamos falar sobre suicídio. Não podemos deixar de lado essa discussão tão importante. Porém, devem-se tomar certos cuidados ao fazê-la.

A intenção de conscientização não se deve, jamais, levar a uma indução. Para que possamos debater abertamente o assunto não basta só mencionar o problema, é preciso também oferecer alternativas para superá-lo ou estratégias para preveni-lo.

Notando os impactos que esse enredo poderia exercer sobre a vida dos jovens, os roteiristas trouxeram à mais nova temporada um desfecho contrário ao de Hannah Baker. Na terceira sequência de 13 Reasons Why, acompanhamos a evolução do personagem Tyler Down (Devin Druid). Tyler era um potencial atirador e suicida que, por meio de auxílio médico e afetivo, retorna a sua vida normal. Ao final, o que a série tenta transparecer nesta última temporada, diferentemente da primeira, é que o suicídio não é, e nunca será, uma opção.

Se você estiver precisando de ajuda, ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV) ou converse sobre isso com um amigo ou parente. Precisamos falar sobre suicídio. Não só em setembro, mas em todos os meses do ano.

Leia mais sobre o Setembro Amarelo , temos mais dois textos da série de posts da Etc & Tal !!