Ser mais ou ser mais eu?

Quem nunca ouviu que moda é um ramo de futilidades, provavelmente nunca conversou sobre isso com alguém. É muito fácil estereotipar o ramo entre tantos tecidos e acessórios, mas é difícil ver o que a moda esconde por trás dessa questão. 

Ainda que a moda seja considerada excludente – e por muito tempo foi a única coisa que ela soube fazer, o feminismo não está assim tão distante do universo fashion. A libertação da silhueta feminina ou a campanha pelo uso de calças, encabeça por Coco Chanel, são só algum dos fatos que mostram como a moda e a história feminista caminham lado a lado.

Entretanto, não podemos esquecer uma questão: seria a moda uma ferramenta de padronização? Vivemos sob uma pressão diária sobre quais roupas usar, quais sapatos e qual a tendência da estação. Preto é só no inverno e florido só na primavera. E a ideia de se libertar de rótulos e padrões, onde fica?

Para a estudante de jornalismo do Mackenzie, Julia Reis, 18, a moda padroniza sim, porém, de forma plural. Ao explicar essa pluralidade, Julia disse que cada grupo social tem sua moda, cada tribo tem um jeito de se manifestar. “E quando a moda ela é plural, ela tem várias entrelinhas, vários conceitos”, afirma a estudante.

 

Quando a moda serve de gatilho para alguém manifestar suas ideias, pensamentos e atitudes, tudo nela se transforma. Dentro de um grupo, que é identificado por certo estilo de vestimenta, ainda é possível encontrar vários modos de utilizar essa peça ou conjunto que os destaque dos demais. Se adentrarmos determinado espaço, como o da universidade, por exemplo, encontraremos diversos grupos sociais que interagem entre si e que possuem diferentes estilos.

É importante ressaltar, também, que a moda dita tendências, e que estilo, na sua mais pura essencial, é uma coisa pessoal e intransferível. Cada pessoa tem seu estilo e cada um seleciona o que acha estiloso ou não.

Ainda para Julia, qualquer manifestação é válida, até as mais subjetivas, como na moda, “Se colocar uma roupa te faz dialogar com você mesmo, isso é incrível”. Para ela tem muita gente que usa alguma coisa só porque saiu na revista ou alguém usou na novela, mas a relação que a moda tem com o indivíduo é outra: trazer os pensamentos e vontades mais íntimos para fora, de uma forma completamente natural.

Veja como as pessoas são diferentes e mesmo assim se encaixam tendências de acordo com sua personalidade aqui.

Texto de Raphaela Belinatti.

Isabella Massoud
Apaixonada por semanas de moda. Acredito que na vida, tudo tem uma razão e tempo certo para acontecer.