Segredos são histórias que a gente conta com os olhos

Há palavras que parecem cair no limbo dos dicionários e pronúncias como se tivessem sido arrancadas de alguma forma do nosso vocabulário. Acho que quando não se sabe o que dizer, ficar quieto em determinados momentos não seria tão inútil quanto julgam, pois esse breve silêncio às vezes é mais eloquente do que muitas frases ditas. Ciente disso eu fiz um trato com o tempo e prometi fazer qualquer negócio em troca de saber a hora certa de dizer as coisas.

Tenho medo de perder aquilo que só eu sei o que significa; já perdi tantas que não quero mais. Perder a coragem de falar é embarcar numa viagem só de ida a lugar nenhum, onde de nada adiantaria dizer o que às vezes dá vontade. Falar e sentir são faces de uma mesma moeda; é ação que tem a sua reação.

Existem duas pessoas em mim: o que eu faço e o que eu sou; são pessoas diferentes que, aos olhos de muitos, são absolutamente iguais. E ainda que eu não consiga pronunciar uma palavra sequer, sempre há algo a ser assimilado pela quietude do nada. Eu nunca desisto de ouvir o que o silêncio tem a dizer.

Essa não desistência fica na “prateleira das coisas em primeiro plano”, tal como ter por perto aquele tipo de pessoa que eu nem preciso me dar ao trabalho de desconfiar; ‘é bom caráter e ponto’, penso em silêncio. Essa me faz sair da casca, derrubando por terra qualquer blindagem emocional que um dia veio a bloquear o caminho. Eu sempre acho uma porção de coisas mas acabo encontrando nada, invariavelmente.

Será que existe algo mais emocional do que optar por ser racional, por medo de errar novamente? E o que é mais racional do que permitir que essa emoção guie cada um dos nossos passos? Aí é que reside o cerne da questão.

Enquanto isso vou criando teorias acerca de mais uma história que meus olhos conseguem contar melhor do que a boca.