Resenha: As Esganadas

Você gosta do Jô Soares? Eu, particularmente, amo o Jô. Esses dias, revirando os cantos empoeirados da memória, me encontrei aos 5 ou 6 anos de idade, em Salvador, na varanda da casa de uns amigos dos meus tios assistindo em uma pequena TV o programa do Jô. Não me lembro do entrevistado e nem do assunto da conversa, lembro-me apenas de rir por tempos quase eternos, das piadas que o Jô contava. Dali em diante, me foi comum passar muitas noites rindo por causa do maior talk show do Brasil.

Há alguns anos comprei de presente para minha mãe o livro As Esganadas, um romance policial escrito pelo Jô. Naquela época eu não gostava de ler e minha mãe amava a leitura. Ela não leu meu presente e no começo deste ano, após ver uma entrevista deste apresentador que tanto gosto e sentir saudade, decidi ir à estante e ver se o Jô também é um bom escritor. E se você, leitor amigo, me for íntimo, te direi: cara, leia esse livro!

Este bom romance policial já revela ao leitor desde as primeiras páginas quem é o vilão da trama. Um serial-killer que tem apenas como alvo de suas atrocidades mulheres gordas. Diante disso, o leitor não precisa devorar as páginas do livro criando teorias para descobrir quem é o assassino, mas deve devorá-las torcendo para que o atrapalhado quarteto de detetives desvende logo o mistério.

O que mais me chama a atenção neste livro é a narração. O narrador descreve de modo preciso e eficaz todas as coisas que estão a acontecer. Conforme o leitor vai saboreando as linhas, um filme vai se desenrolando diante dele. Uma narração muito palpável. O que às vezes pode atrapalhar é a linguagem utilizada – muito arcaica, lembra os livros do século XIX.

A trama tem como pano de fundo o Rio de Janeiro da Era Vargas e as tensões pré Segunda Guerra Mundial. Cheio de personagens singularíssimos e cômicos diálogos, As Esganadas é um livro leve, divertido e hilário. Prende a atenção desde a primeira página. Leia e divirta-se!

 

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Matheus de Siqueira Nunes

Um apaixonado por futebol, que assiste basquete semanalmente, joga truco ocasionalmente e tenta viver poeticamente…