A reciclagem do “novo”

Na maior parte do mundo fashion o princípio de direcionamento é o “novo”. Hoje vivemos numa roda gigante do tempo, várias tendências tem se reinventado, como: jaqueta bomber, jaqueta jeans, calça mom jeans e entre várias outras. Aprecio muito a volta dessas peças (aliás, eu uso haha), mas acho importante também compreender de fato o que essa concepção de “novo” representa para moda.

Uma das definições de moda é: um rompimento com a tradição, e um incessante esforço para alcançar o “novo”. Mas na verdade este “novo” é uma reciclagem daquilo que já foi criado, ou seja, ela se desenvolve com base em tendências anteriores. Então fica aqui o questionamento, existe algo que realmente seja novo?

Os ciclos na moda estão cada vez mais curtos, e os ciclos da natureza não conseguem acompanhar este ritmo desenfreado, por isso os recursos tem se tornado escassos. Acredito que essa mudança constante seja uma maneira das pessoas se adequarem aos padrões sociais, por isso devemos nos perguntar por quais motivos temos consumido estas tendências, por que realmente gostamos ou apenas pelo desejo de pertencimento?

Ilustração por Kaique Vieira (@kaicovieira)

O estudante Kaique Vieira do curso de Publicidade e Propaganda (ah, uma novidade: ele vai começar a fazer algumas ilustrações para o editorial de moda <3) fez uma ilustração digital sobre este tema, a mensagem que ele desejou transmitir foi a representação de alguém que tivesse acima dos padrões e que entendesse o quão prejudicial isso é.

Mas em meio a este consumismo existem outras opções, o slow fashion tem ido à contramão de tudo aquilo que temos seguido por tanto tempo, é uma alternativa à produção em massa, ele incentiva a consciência no consumo dos produtos, propõe uma conexão com a sua produção e valoriza a diversidade e tradições. O consumo em excesso é uma questão ambiental e social, estamos falando do lugar onde moramos e do cuidado que devemos ter com ele.

Descontextualizar e recontextualizar a moda é algo incrível, mais importante ainda é entender que a beleza das peças não reside em sua temporalidade e contemporaneidade, e sim na sua funcionalidade.

Thaina Fernandes

Vejo a moda como expressão da nossa identidade e individualidade, seu significado vai além do superficial. Acredito em seu poder social de empoderamento e representatividade, como disse Karl Lagerfeld “Sou uma pessoa da moda e a moda não é somente sobre roupas… É sobre todos os tipos de mudança”.