Quem paga a conta?

Foto: Ivan Constantin.
Foto: Ivan Constantin.

Eu tive um sonho… À moda de Dante. Peguei um trem que era um purgatório. 9 vagões e uma chance de ser levado ao paraíso ou descer até o último vagão ao inferno…
“E ri-se a orquestra irônica, estridente…”.
“Vagabundos!”, gritaram…
“Baderneiros”, esbravejaram…
“Perturbadores da ordem”, concluíram.
Os calos das mãos que pelejam contra o teto dessa locomotiva acreditam naqueles que prometem o céu e entregam a pobreza e exigem a resiliência.
Apanha e cala-te! Pague o que te for pedido e não reclame.
Quem é resignado alcança… “E se não alcança é porque não mereceu”, disse o senhor engravatado que ganha mais de um milhão.
E acredite que está tudo bem, sorriso nos lábios e fé no contestável.
E se você não embarcou no trem rumo a esse limbo, não ouse levantar os olhos para salvar as almas daqueles pobres…
Pobres de dinheiro,
Pobres de posses,
Pobres de vida.
Mas… Paga que passa!