Purpurina

A purpurina ainda estava espalhada pelo chão. Em torno dos seus olhos havia certo brilho. Que eram um perfeito contraste com a confusão que se passava dentro de si.

Foram dias intensos, como se não houvesse algo para ser feito amanhã. Aquela era sua única chance de fazer na vida uma loucura. Sem culpa ou muito ao que pensar.

O que há de errado nisso? No fundo todo mundo fica apenas na torcida para que algo louco, totalmente fora da sua rotina aconteça. Sinceramente isso deve ocorrer pelo menos em algum momento, entre uma batida calma e acelerada. De repente, tudo a sua volta muda.

E naquela época, mais conhecida como Carnaval, que tem consigo diversos lugares com cores, espuma, fantasias, ironicamente alguns perdem às máscaras. E suas verdadeiras devoções, visões, o seu eu interior fica exposto.

O mundo gira, os sentidos o acompanham, o ponteiro de relógio dá adeus ao último minuto. Você vai junto com ele, com toda diversão. Ou não! Como gostaria de ter aqui por mais glitter jogado ao ar. Trazendo um brilho a nossa sintonia. Agora o que resta são só as cinzas do dia seguinte.
Foto por Bernard Laguerre, usuário do Flickr