Florir

Florir

Que dance a linda flor girando por aí
Sonhando com amor sem dor, amor de flor
Querendo a flor que é, no sonho a flor que vem
Ser duplamente flor, encanta, colore e faz bem

Acordo ouvindo Maria Gadú, olho no calendário e vejo a data de hoje: sexta-feira, dia 23 de setembro, começo da primavera. Da minha janela, olho para o céu. O sol começa a surgir timidamente e aquecer o dia, enquanto as flores começam a brotar e a colorir a cidade, deixando tudo mais cheio de vida. Me deixando mais cheia de vida.

Começo a pensar em como, às vezes, a vida parece cinza demais, em como nos esquecemos de sorrir em meio à correria com que o dia a dia nos obriga a lidar.

Quando foi que paramos de olhar a nossa volta? Sequer observamos as lindas flores que cobrem os bosques, sequer nos atentamos a quem passa ao nosso lado. A automaticidade toma conta do nosso ser e nem sabemos mais o que é viver.

Não damos bom dia para o porteiro, não sorrimos para as crianças, não percebemos nem o caminho pelo qual estamos passando. No elevador, nas filas de supermercado, nas recepções, não há mais conversas, cada um se fecha no seu mundo e não consegue olhar além do celular. Não é engraçado o nome, redes sociais? Um pouco irônico, já que tenho a sensação de que por causa delas estamos perdendo a capacidade de socialização.

Em meio a esses pensamentos, saio de casa decidida: é primavera, é meu dia de florir, de começar a dar frutos, de realmente viver.

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Fotos de Rebeca Dias, tiradas na Universidade Presbiteriana Mackenzie.