Precisamos pensar sobre representatividade na moda

Muito se fala sobre representatividade na moda atualmente. Observamos comentários sobre como a marca “x” levou modelos que fogem do padrão que estamos acostumados a ver cruzar a passarela, sobre como aquela revista reconhecida mundialmente colocou modelos de diferentes raças e corpos como garotas da capa. Mas será que já paramos para pensar se essa representatividade atinge apenas uma classe mais elitizada e com acesso a moda? Ou ela atinge a todos?

É claro que não podemos negar que esse novo respiro do mundo fashion é sim muito bom, só que temos que analisarmos com um olhar mais crítico. É assim que Amanda Sthephanie, 19, avalia essa inserção de novos representantes na moda. A estudante do quinto semestre de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie é militante do feminismo preto e periférico e das causas negras, e até enxerga a mudança como bons olhos mas ainda questiona se estas inserções não são apenas uma estratégias de marketing para atrair uma parte da população que está lutando por seu direitos.

Infelizmente vivemos em um mundo onde estas perguntas precisam ser feitas. Afinal, até que ponto essa ampliação vem atingindo as pessoas que estão começando a ser representadas?

Amanda acredita que há uma grande diferença entre ver e ter desfiles para empoderamento das minorias e na forma de como as roupas apresentadas chegam até esta parcela da população: “Essa ponte não acontece. Não são roupas acessíveis por exemplo. É muito difícil se apropriar de uma prática elitista – moda – e ressignificar para que alcance os espaços vulneráveis, porque na verdade o sistema que vivemos não faz caber em todos lugares.” Ou seja, muitas vezes quando a moda das minorias chega a grande palcos – como as semanas de moda – elas deixam de ser acessível para os seus precursores, o motivo: há um novo público alvo, e muitas vezes ele é elitista.

Essa nova incorporação​ de modelos e influenciadores faz a diferença para muitos, mas para alguns os impactos são bem diferentes, talvez pela falta de acesso ou porque para eles fazer a moda que nos é mostrada é algo natural e que exige coragem – talvez seja mais pela segunda opção.  

Claro que padrões ainda precisam ser quebrados e espaços conquistados, mas já podemos notar um novo significado para a moda. Apenas não nos podemos deixar de ter uma visão mais crítica para essas conquistas e nem esquecermos que quem faz a moda somos nós. Como Amanda diz: “Moda é se libertar mesmo. E, se o alcance for longo, ajudar que outros também se libertem.”

Precisamos falar, refletir e nunca esquecermos que podemos expressar nossas lutas e quem somos por meio de nossas roupas.

E você, se sente livre e representada na moda? Conta pra gente! 🙂

 

Texto por: Gabriela Cesario