Por que?

Já fui do mar.

Hoje, estou estatelada

na areia deixada.

Estou sem ar

 

e nesta terra de desilusão

o vazio é minha confusão.

Hoje sou o que de mim sobrou,

tudo o que o vento não soprou.

 

Me pergunto: o que queremos?

Por que ambicionamos?

Por que amamos?

Por que odiamos?

 

Por que matamos?

Por que o nascimento causamos?

Desprezível e incoerente ser. Por que tão contraditório?

Diante disso eu rio.

 

Esses seres cegos estão perdidos em seus mundos internos.

Pensam que são modernos…

Fora isso, tenho que admitir:

Também vivo em meu mundo interno e nem penso em partir.

 

Já pensei em fazer, mas desisti.

Eu nadava contra a corrente,

hoje, nem nado, não persisti.

Como todos os outros, eu me encontro dormente.

 

Fotografia por Guilherme Rossi