Por quê se importar com sustentabilidade

“É importante tornar consciente que ao comprar qualquer objeto nos conectamos com toda uma cadeia em que estão envolvidos recursos naturais, dedicação de pessoas e um processo industrial”, diz Tiago Egydio, consultor em Conservação Ambiental da Fundação Espaço ECO. “­­­­­­­­­­­­­­­­­­Agir de forma isolada ou para interesses meramente particulares gera pouco impacto em mudanças estruturais”.

Ele destaca que todas as relações são dependentes entre si, sejam elas sociais, econômicas ou com a natureza. Por isso, todas as pessoas precisam mudar seus hábitos de consumo para que haja um desenvolvimento sustentável. Afinal, o crescimento da população gera uma demanda maior por recursos naturais. “Para que ocorra uma mudança na sociedade, primeiro devem ocorrer as mudanças no nível do indivíduo”, acrescenta.

O setor de Consesustentabilidade-8rvação da fundação atua com empresas e cooperativas que os procuram principalmente para prestação de serviços de adequação ambiental, treinamentos e laudos. Egydio diz que as maiores dificuldades dos clientes estão em entender as questões legais que envolvem a manutenção do meio-ambiente, a interação com os órgãos públicos e a necessidade de mudar certos aspectos em sua gestão.

“Para que ocorra uma mudança na sociedade, primeiro devem ocorrer as mudanças no nível do indivíduo”

De fato, existem muitas considerações na legislação sobre isso. Segundo dados da Embrapa, em quase 60% das terras no Brasil incide alguma medida de proteção ambiental. Isso inclui as Terras Indígenas, as Unidades de Conservação, as Áreas de Proteção Permanente, entre outras.

Egydio diz que desde 2012, quando passou a vigorar o novo Código Florestal, houve uma demanda imediata pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR), que deve ser feito por todos os produtores do setor. Essa é uma política tanto federal quanto estadual de planejamento, recuperação e conservação das terras.

Porém o prazo de inscrição foi prorrogado para dezembro de 2017, o que fez com que a demanda por esse serviço deixasse de ser urgente. Consequentemente, outras medidas de adequação que dependem do cadastro do produtor, como o Programa de Regularização Ambiental, acabam sendo afetadas.

Outros fatores

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza um Indicador de Desenvolvimento Sustentável (IDS) que levanta diversas informações sobre a questão no país em diversos âmbitos. O último foi publicado em 2015.

Ele aponta, por exemplo, que houve um aumento no consumo de energia por pessoa no Brasil. Isso aconteceu por causa de vários fatores, como a construção de novas hidrelétricas e inclusive maior acesso da população aos bens de consumo e serviços de infraestrutura.

“A produção, o consumo e os subprodutos resultantes da oferta de energia exercem pressões sobre o meio ambiente e os recursos naturais. Por outro lado, limitar o uso de energia nos países em desenvolvimento representa um grande risco”, diz parte do relatório disponível no site do instituto.

IDS: Diminui o número de focos de calor por um lado,

do outro cresce o consumo de energia

Apesar disso, nos últimos anos tem ocorrido uma diminuição nos focos de calor, os quais podem ser causados por diversos fatores. Entre eles, as queimadas e o avanço de atividades agropastoris. Ainda de acordo com o IDS, “as queimadas podem se constituir num sério problema de saúde pública, por comprometerem a qualidade do ar durante a estação seca, com reflexos no número de internações por problemas respiratórios”. Ambas as questões são somente algumas das que afetam o meio-ambiente e, consequentemente, a vida das pessoas.

Reciclagem: uma opção

As mudanças para que haja diminuição desses impactos também devem acontecer no cotidiano. Altair Silva, assessor de comunicação da EcoUrbis, diz que as pessoas precisam avaliar se o que estão consumindo é realmente necessário: “Ela realmente precisa de um determinado produto ou apenas quer?”.

A EcoUrbis realiza coleta de resíduos nas casas da zona Sul e parte da Leste de São Paulo. Eles então passam por uma triagem. Os materiais recicláveis são enviados para as indústrias de transformação, que os torna úteis novamente, e o resto vai para o aterro sanitário. A EcoUrbis trabalha exclusivamente para a Prefeitura da cidade.

Silva acrescenta que a principal contribuição da reciclagem para o desenvolvimento sustentável da sociedade está no fato dela poupar recursos naturais. Desta forma, é uma prática que ajuda a diminuir os impactos causados ao meio-ambiente.