Variedade de temas domina 2º dia do XVII Encontro de Comunicação e Letras

Por Allan Batista, Ana Carolina Maciel, Ana Laura Bagatini, Ana Luiza Guerbali, Anna Beatriz Fogaça, Domitila Parreira Araujo, Esther Vitória, Flávia Fernandes, Fernanda Falcon, Fernanda Rossini, Gabriel Vieira, Gabrielle Felix, Isabela Vitiello, Kayane Estrela, Larissa Maria, Letícia Juang, Luiza Paniagua, Maísa Pastore, Marcela Aguiar, Vinicius Robassini e Vitoria Cristina Zamboti.

A pluralidade temática marcou, nesta quinta-feira (20), o segundo dia do XVII Encontro de Comunicação e Letras, do Centro de Comunicação e Letras (CCL), da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). Dentre os paineis da manhã, “Jornalismo Político na Prática” foi um dos destaques. A mesa, que recebeu Lucas Teixeira, repórter do portal de notícias UOL, e Victoria Abel, jornalista da CBN, ofereceu um formato bate-papo com os presentes, mediado pelo professor Paulo Ranieri.

O primeiro tópico abordado foi a complexidade das eleições atuais. Para Lucas, ela ocorre, em parte, por conta do cenário digital, fator de interferência no cotidiano do eleitor, mas não do jornalista, uma vez que existem critérios jornalísticos objetivos a serem seguidos. 

Victoria ofereceu uma reflexão sobre o papel do jornalista hoje, que, segundo ela, não é somente publicar a notícia, mas também combater uma mentira disseminada. Para a jornalista, foram poucos os profissionais que conseguiram entender o processo de formulação das fake news, muito presentes no contexto da política atual.

Junto à cultura de disseminação de fake news, vem se consolidando, também, um perigoso ódio contra jornalistas incentivados por grupos extremistas. Victoria relatou, por exemplo, que já precisou se “camuflar” para não ser identificada como jornalista e sofrer qualquer retaliação.

Das muitas perguntas feitas pela plateia presente, destaca-se a preocupação de todos com as fake news e a ideia de regulamentação da mídia.

Além da mesa sobre cobertura política, ainda no período da manhã, o Encontro recebeu Mariana Mello, que propôs uma importante reflexão sobre o etarismo na comunicação; Ana Clara, que falou sobre sobre acessibilidade, comunicação e criatividade; Marina Toledo, do Museu da Língua Portuguesa, apresentando ações educativas; Elder Munhoz, sobre como entender melhor o comprador digital pelas suas redes sociais; e Priscila Balsini, na mesa “Entre Letras e Afetos: os Diálogos de Saramago com os Intelectuais de seu tempo”.

Mariana Mello

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Marina Toledo

Fabíola Gadelha abriu os paineis da tarde. Jornalista policial e de entretenimento, compartilhou com os presentes sua história, experiências e, acima de tudo, importantes conselhos sobre a prática da profissão. Em um bate-papo descontraído, com mediação do professor Fernando Pereira, o auditório do edifício Reverendo Wilson (RW) recebeu dezenas de estudantes e profissionais da área.

Em meio a perguntas interessadas e respostas bem-humoradas, Fabíola deixou claro que entende como função do jornalismo não apenas informar a população, mas também servi-la. Acrescentou, ainda, que considera vital aos jornalistas que “sintam na pele” a história que pretendem contar, saindo dos carros e das redações para poder falar com propriedade e da melhor maneira possível sobre o assunto em questão. “Como eu passaria verdade na minha matéria se eu não sentir na pele o sofrimento daquelas pessoas?”, perguntou. 

Fabíola relembrou momentos tensos de sua carreira, como as três tentativas de assassinato que sofreu, mas garantiu que o medo nunca a impediu de trabalhar, pois, além de ter muita fé, sempre confiou na sua intenção – que era boa e correta.

Sobre a mudança para o entretenimento, a jornalista afirmou ter sido algo muito natural, já que pode viver o jornalismo em qualquer área de sua vida. Fabíola contou ainda que Marcelo Rezende, ex-colega e ex-amigo (falecido em 2017), enxergou a possibilidade de mudança antes que ela própria cogitasse tal caminho. “Tomara que a Record perceba que você é do entretenimento”, disse Rezende para Fabíola, em certo momento.

A jornalista falou também sobre sua experiência na maternidade, assegurando que seus filhos sempre foram o impulso de sua carreira. Ao final, a convidada foi elogiada pelos presentes no auditório, que afirmaram ver em Fabíola “um talento incrível”, “vitalidade”, “força” e “humor”, além de ser “alguém que vive o jornalismo no sangue”.

Um pouco sobre a rotina de Fabíola Gadelha, por ela mesma!

Mediada pelo professor Thiago Pereira da Costa, aconteceu a conversa com Cris Tex. Ele falou com os alunos presentes sobre direção de filme publicitário e cinema. O convidado mostrou exemplos de comerciais produzidos por ele e explicou todo o processo de criação.

Um dos temas abordados pelo painel foi o fenômeno da alta qualidade das câmeras dos novos celulares, que fez com que a parte técnica de se produzir um filme deixasse de ser um desafio e, agora, fosse mais exigida a qualidade do roteiro.

Foram citadas, ainda, as adversidades enfrentadas neste campo com a publicação de vídeos nas novas mídias sociais, que exigem o uso do formato vertical e dificulta a centralização do produto e tamanhos menores para serem publicados.

Para Cris, o mercado de trabalho no ramo de audiovisual hoje em dia está muito fechado, por outro lado não há mais as barreiras que existiam antes.

Cris Tex e Thiago Pereira da Costa

Na sequência da Edição Especial Fórum Copa do Mundo, os nomes presentes foram o jornalista esportivo com mais de 18 anos de experiência na TV Globo e SporTV, vencedor de inúmeros prêmios e atual colunista do Mercado da Bola, André Hernan, e o jornalista, professor, mestre em Tecnologia e Mercado, e head do Cartola Express, Rafael Sbarai. O objetivo do painel foi discutir as novas mídias e as tecnologias nos eventos esportivos. 

André Hernan contou um pouco sobre como passou a se encantar pelo universo digital, depois de trabalhar durante anos na televisão. Hoje, acredita que a cobertura digital permite uma repercussão muito maior das informações e comentou suas expectativas para a Copa do Mundo do Catar: “será o maior desafio da minha carreira”. 

Já o ex-estudante de jornalismo da UPM, Rafael Sbarai, falou sobre o fantasy game Cartola Express, que une o futebol ao mercado financeiro, em que os amantes do esporte podem ganhar prêmios ao acompanhar os jogos. O fato inédito é que o Cartola acontecerá durante a Copa do Mundo, onde os torcedores poderão escalar, pela primeira vez, os melhores jogadores do mundo. 

Após as falas dos convidados, o público interagiu com perguntas. Sbarai explicou o funcionamento do Cartola Express da Copa, mas manteve certo suspense acerca de alguns detalhes da plataforma que somente serão revelados mais próximo da competição. André Hernan respondeu uma pergunta relacionada à ocasião em que, sem querer, revelou seu time do coração e como lidou com a repercussão de sua fala. Hernan também afirmou que sempre procura manter-se ético no trabalho jornalístico, independentemente do time de coração.

Simultaneamente à mesa dos jornalistas esportivos, acontecia a palestra de Raquel Salomão, diretora de contas da agência Mirium Agency. No encontro, com presença maior de alunos do curso de Publicidade e Propaganda, a palestrante conversou sobre as funções do atendimento para além dos clichês: “atendimento não é somente uma ponte entre agência e cliente. Isso é um clichê. O bom atendimento é aquele que ouve, entende, escreve, traduz, e gerencia”.

Segundo Raquel, o futuro do atendimento digital está na tecnologia, na programação e nos dados. “As agências estão carentes de pessoas que entendam essa área. Busque cursos e certificações”, aconselhou aos presentes. 

A diretora de contas indicou que o Google disponibiliza cursos gratuitos de fundamentos do marketing digital, Power BI e analytics, e enfatizou: “Estude muito, amplie sua rede de contatos e se antecipe. A antecipação traz os melhores resultados.”

Abrindo as mesas do período noturno, Eduardo Simon falou sobre o uso do encantamento e nostalgia na publicidade. Simon apresentou o case do Renault Kwid Outsider 2019 e o seu lançamento junto com uma propaganda que simulava o trailer do filme “Caverna do Dragão”. A campanha tinha como objetivo atingir a geração que assistiu o desenho nos anos 80. O resultado foi que o Renault Kwid Outsider foi o segundo carro mais vendido do ano e uma das propagandas mais repercutidas da marca.

Para falar das campanhas que têm apelo emocional e abordam questões sociais contemporâneas, Eduardo mostrou um case da marca Natura. A campanha do dia dos pais de 2020 convidou o pai Thammy Gretchen, que é um homem transgênero. O comercial causou grande comoção na internet. A marca aumentou o investimento na mídia da agência em 120%. 

O futuro da propaganda é o entretenimento, de acordo com Eduardo. Não a mera comunicação, continua ele, mas o encanto. “A propaganda do futuro não pensa apenas na campanha, mas no que as pessoas estão conversando”, afirmou.

Quando perguntado sobre o impacto da implementação da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) no mercado da propaganda, Eduardo afirmou que a lei é benéfica para o consumidor, pois o protege da monitoração obtida a partir dos rastros digitais.

Os outros paineis da noite foram “Novas Tendências no Consumo de Mídia” (Melissa Vogel), “A Sustentabilidade da Publicidade é Responsabilidade de Quem?” (Cristiane Camargo); e “Como a Influência Modifica Cenários Padronizados” (Danilo Moura, Gustavo Almeida e Fábio Marx).

Eduardo Simon
Professora Thaiza, Danilo Moura, Gustavo Almeida e Fábio Marx

Com a fotografia time-lapse abaixo, produzida pelas alunas de Publicidade e Propaganda da equipe de cobertura do Encontro, fica o desejo de que o próximo evento aconteça em breve! ATÉ A PRÓXIMA!