Paula Ivoglo: “As mulheres precisam se impor mais”

Paula Ivoglo, comentarista dos canais ESPN e criadora do site “NFL de Bolsa”, foi a convidada do Arquibancada Mackenzie na semana passada. Durante o programa na rádio, Paula falou sobre sua paixão pelo futebol americano e o espaço da mulher no jornalismo esportivo.

Em 2007, o então namorado de Paula gostava muito de futebol americano, e assim ela também passou a acompanhar a principal liga no mundo, a NFL. Naquela época, acompanhar o esporte era apenas um hobby, tanto que seu trabalho era voltado para a área de tecnologia.

No entanto, em 2014, Paula saiu da empresa em que trabalhava e ficou um ano fora do Brasil. Quando voltou, já não se identificava mais com a área de tecnologia, e por isso decidiu seguir seu coração e criar um blog sobre a NFL. Contudo, não é um blog comum. O “NFL de Bolsa” é um site sobre futebol americano feito inteiramente por mulheres que, assim como Paula, amam o esporte.

Atualmente, ela tem a colaboração de 20 mulheres. “Por ser feito por uma mulher, isso atrai outras amantes do esporte que se sentem mais confortáveis em falar sobre a NFL e acabam perdendo o medo de se expor”, conta.

Um fato curioso é que ela nunca gostou de escrever. “Descobri um lado meu que não sabia que existia, mas quando você faz algo que ama, as coisas dão certo”, diz.

Paula Ivolgo, ao lado de Fernando Nardini e Anthony Curti, durante sua primeira transmissão da NFL

Com o ‘boom’ do site, a ESPN entrou em contato com ela para participar de programas sobre o futebol americano e, futuramente, de transmissões. No ano passado, na primeira semana da temporada, Paula se tornou a primeira mulher a comentar uma partida da NFL no Brasil, no jogo entre Denver Broncos x Los Angeles Chargers.

Confira um trecho da entrevista com Paula Ivoglo:

Qual fator do futebol americano te chamou mais a atenção?

Os tackles e a parte da estratégia. Cada jogador deve fazer seu trabalho para o time funcionar como um todo. Aqui, o conceito de time é muito forte. Um jogo pode ser definido nas últimas jogadas, nos últimos segundos.

Os princípios do futebol americano estão muito relacionados à guerra, inclusive com nomenclaturas relacionadas ao combate, como a formação shotgun. No passado, a guerra era uma atividade masculina, em que os homens lutavam e as mulheres ficavam em casa. A violência no jogo é o principal fator que dificulta a atração das mulheres?

Querendo ou não, o preparo físico feminino é inferior ao masculino. Eu tiro o chapéu para as mulheres que jogam de igual para igual e se batem bastante. No entanto, o combate no jogo ainda é uma barreira para a maior prática feminina e audiência nas televisões. Eu, particularmente, gosto de assistir à pancadaria, mas tenho amigas que não gostam.

O que falta para contarmos com mais narradoras e comentaristas sobre NFL e NBA na televisão?

As mulheres precisam se impor mais. Além disso, os meios de comunicação também precisam ir atrás, por que assim é possível atrair o público feminino mais facilmente. Vários homens falam para mim que suas esposas começaram a acompanhar o futebol americano por minha causa, por que assim elas podem criar uma identificação comigo.

Como você vê o desenvolvimento do esporte no Brasil?

Em comparação ao passado, a evolução é muito grande, mas a prática ainda é muito embrionária. Eu sinto uma descentralização muito grande das equipes, até por conta do grande número de jogadores necessários para formar um time. Ainda é preciso levar mais a sério a prática do futebol americano, até para poder atrair mais patrocínio.

Quem são os principais candidatos ao título da NFL deste ano?

Nunca podemos deixar de fora New England Patriots e Green Bay Packers. Além deles, penso que o Jacksonville Jaguars, Philadelphia Eagles, Minnesota Vikings e San Francisco 49ers também podem fazer uma boa temporada.

Palmeirense apaixonado por esportes. É o melhor entretenimento do mundo!