Para heróis brasileiros na neve

O Brasil está sendo representado por três atletas nas Paralímpiadas de Inverno em PyeongChang: Aline Rocha e Cristian Ribera no esqui cross-country e André Cintra no snowboard. Esta é a segunda edição que o Brasil envia atletas para as paralímpiadas. A primeira havia sido em Sochi, em 2014.

Cristian Ribera

O esquiador brasileiro está fazendo história, pois é atleta mais novo desta edição da Paralímpiada de Inverno. Com apenas 15 anos, Cristian já passou por 21 cirurgias para corrigir a artrogripose, uma doença congênita rara que afeta as articulações das extremidades. O menino começou a praticar esportes com quatro anos de idade. Suas primeiras experiências no mundo paralímpico foram no atletismo e na natação. O esqui cross-country surgiu como consequência do gosto pelo skate, que pratica como hobby todos os dias. Na sua estreia nesta edição, Cristian ficou no histórico sexto lugar na prova dos 15Km, competindo contra atletas de países tradicionais.

 

Aline Rocha

Aline perdeu o movimento das pernas em um acidente de carro em 2006. Na época, com 15 anos, ela teve uma

fratura na coluna que a colocou numa cadeira de rodas para o resto da vida. Depois de virar cadeirante, descobriu o esporte quando conheceu Fernando Orso, seu atual marido e técnico, e passou a competir. A paranaense disputou três provas no atletismo das Olimpíadas do Rio em 2016 e conquistou um nono lugar, seu melhor resultado. Para a Paralimpíada de Inverno, Aline foi treinar o esqui cross-country em Livigno, na Itália, com temperaturas em torno de vinte graus negativos.  Quando chegou em PyeongChang, teve uma surpresa: era a única mulher representando todos os países sul-americanos e seria a porta bandeira da delegação brasileira na cerimônia de abertura. Na sua primeira prova nesta edição, Aline ficou em 15º lugar na prova dos 12Km, resultado inédito para o Brasil.

 

André Cintra

André perdeu a perna direita aos 17 anos em um acidente de moto, mas virou atleta profissional apenas aos 33. Através do kitesurf e do wakeboard, o paulistano começou a se apaixonar pelos esportes radicais. Adaptou-se depois para o snowboard, modalidade que compete profissionalmente. Aos 38 anos, ele está disputando sua segunda Paralimpíada de Inverno. A primeira foi em Sochi, 2014, quando o Brasil estreou na competição. Na ocasião, o brasileiro ficou em 28º lugar dos 33 participantes. Nesta edição, André parou nas oitavas de final do snowboard cross e ficou com o 10º lugar, fato inédito para o Brasil. Antes de terminar sua participação, ele ainda competirá na prova do banked slalom, outra categoria dentro do snowboard.

 

Além do esqui cross-country e do snowboard, disputados pelos brasileiros, esta edição da Paralimpíada de Inverno conta com mais quatro esportes: biatlo, curling em cadeira de rodas, esqui alpino e hóquei sobre trenó.

Para Gustavo Iglezias, aluno do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o Brasil está muito bem representado por esses três atletas. Ele deu sua opinião sobre os Jogos Paralímpicos de Inverno: “A Paralímpiada deveria acontecer antes da Olimpíada. Da maneira que ocorre hoje, ninguém se interessa pelos evento porque os Jogos Olímpicos de Inverno já foram. Isso precisa mudar para que a população possa admirar os exemplos de vida que estão por trás da Paralimpíada. Pessoas, que em muitos casos não tinham motivos para seguir em frente, encontram no esporte uma motivação.”

Se quiser saber sobre a Olimpíada de PyeongChang que ocorreu antes da Paralímpiada, confira o texto sobre a Isadora Williams, atleta que fez história representando o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Não dispenso por nada uma boa resenha sobre esportes. Sou fã de todos eles, mas amo o futebol. Ver uma torcida gritando gol é a minha maior emoção!