Oscar 2018: cinema de arte

O famigerado dia da cerimônia de premiação do Oscar chegou. O prêmio, oferecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas é considerado um dos mais importantes para a indústria cultural e cinematográfica mundial.

Neste ano, o Oscar é marcado historicamente pelo filme “A forma da água”, de Guillermo Del Toro, que concorre a treze categorias. Não obstante, Greta Gewing foi indicada ao prêmio de melhor direção, por Lady Bird, sendo a quinta mulher a ser indicada ao prêmio.

De fato, a estatueta de Melhor Filme é a mais esperada, porém ao olhar da editoria internacional, a categoria de Melhor Filme Estrangeiro é uma das mais célebres. O professor de cinema da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Fernando Salinas conta que essa categoria é mais difícil de ganhar do que a principal, pois um filme de arte não chega ao Oscar por métodos convencionais.

O prêmio que caracteriza o Melhor Filme em língua não inglesa, este ano é marcado por cinco concorrentes. A estatueta é simbolicamente entregue ao diretor do filme, pois é considerada uma vitória para todo o país.

SUÉCIA: “THE SQUARE: A ARTE DA DISCÓRDIA”, por Ruben Östlund

A técnica em direção cinematográfica pela Academia Internacional de Cinema do Rio de Janeiro e estudante de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Amanda Pickler, acredita que no filme existem muitos paralelos com o filme de Frederico Fellini, La dolce vita, ao tratar da superficialidade do universo da arte contemporânea.

“Esse filme mostra o quão contraditório é esse mundo da arte, é o típico personagem dos filmes do Fellini”.

O filme foi considerado provocador e desconfortante pelos críticos de cinema. Aborda a influência de fatores externos no comportamento humano e principalmente do dinheiro.

Salinas diz que é bem possível que este seja o vencedor da categoria por já ter ganhado um prêmio“Palma de Ouro” do festival de cinema de Cannes, na França.

 

RÚSSIA: “SEM AMOR”, por Andrey Zvyagintsev

Segundo Amanda, o contexto se assemelha com o filme iraniano A separação, de Asghar Farhadi.

“Esse filme traz um envolvimento com o público, você fica com raiva dos personagens, foi um filme bem pensado”, conta Amanda. “Ele é muito forte, é realmente um soco no estômago”.

O longa aborda problemas familiares e recorrentes, como o divórcio. A primeira parte do filme mostra a vida vazia de um casal que enfrenta um processo de separação e rejeita os filhos. A história tem seu apogeu quando um dos filhos do casal principal presencia uma briga e desaparece.

“Um filme no Oscar que tem criança já leva trinta pontos na frente” afirma Salinas.

HUNGRIA: “CORPO E ALMA”, por Ildikó Enyedi

“Corpo e alma”, conta uma jornada sobre amor. Dois colegas de trabalho ao se conhecer, descobrem que durante seu sono, sonham as mesmas coisas. A partir desse contexto, a narrativa percorre sobre as dificuldades que os dois enfrentam na vida real.

O cinema húngaro passou por muitas dificuldades nos últimos dez anos, porém, esse longa é a prova de que não devemos duvidar de suas habilidades.

 

CHILE: UMA MULHER FANTÁSTICA, por Sebastián Lelio

Representando a América do Sul, Uma mulher fantástica, relata a luta diária de Marina uma garçonete, que sonha em ser cantora lírica e sofre com a morte de seu marido, vinte anos mais velho.

Um dos favoritos a levar a estatueta, a obra cinematográfica que discute gêneros leva o espectador a perceber as pequenas hostilidades e guerras travadas por Marina.

“Esse também pode ganhar, pois além de ser um tema atual, foi muito bem produzido”, afirma Salinas.

O país que ainda não tem prêmios na categoria foi aclamado pelas críticas e descrito com um “Um belo retrato de personagens”.

 

LÍBANO: “O INSULTO”, por Ziad Doueiri

Narrando um acaso, o filme libanês explana o julgamento entre um cristão e um refugiado palestino. Com um tema relevante e atual, demonstra como um evento comum se transforma em algo grande e conflituoso.

Ao regar suas plantas, o cristão Toni acaba tendo um desentendimento com seu vizinho que é refugiado, Yasser. A partir desse cenário, o filme em clima de novela conduz seu público a observação das feridas politicas e dificuldades de um país em guerra civil.

E ai, o que você achou da nossa análise de cinema de arte? Confira aqui a resenha do diário de Anne Frank.

Uma preta de personalidade forte e em fase de crescimento. Estudante de jornalismo, que ama fotografia. Sempre aceita um desafio e “dá a cara a tapa” em tudo.