Os negros no esporte

Nesta segunda-feira, dia 20 de novembro, foi feriado. O motivo, consciência negra. No texto a seguir, vamos lembrar como os negros foram inseridos em alguns esportes e como se dá sua participação atualmente.

 

No futebol:

O futebol foi introduzido no Brasil em 1895, por Charles Miller. No início, era um esporte destinado à elite, e por isso apenas brancos participavam do jogo. Com o passar dos anos, ele foi se popularizando e atingindo outras camadas da população, como negros, mulatos e trabalhadores. No entanto, os negros não eram muito bem vistos no futebol.

Como forma de disfarce, os jogadores negros passavam pó de arroz no rosto para ficarem mais parecidos com os brancos. A torcida do Fluminense é conhecida como pó de arroz até hoje, por conta de um episódio envolvendo um de seus jogadores, em 1914.

Contudo, o tricolor carioca não foi o primeiro clube a admitir negros. Bangu e Ponte Preta são considerados os pioneiros, mas o Vasco da Gama é o mais conhecido pela inclusão desses atletas. Entre os anos de 1923 e 1924, o clube contava com 12 negros no elenco e conquistou o título do campeonato carioca. Porém, isso gerou muita insatisfação em outras equipes do estado, como Flamengo, Botafogo, Fluminense e América, que acabaram criando uma liga alternativa e exigindo que o Vasco expulsasse os jogadores negros do time.

Com a profissionalização do futebol em 1933, qualquer cidadão poderia seguir o caminho para praticar o esporte de modo profissional. Os negros viram nele uma oportunidade de ascensão social, o que aumentou o número de praticantes.

Com o tempo, os jogadores deixaram de passar pó de arroz, e, em tese, a discriminação diminuiu. Infelizmente, com todas as campanhas contra o racismo, ainda há preconceito com negros no futebol. Um caso mais recente envolve o goleiro Aranha, que, na época, atuava pelo Santos. Ele foi alvo de racismo durante um jogo contra o Grêmio, em Porto Alegre, em que uma torcedora do time gaúcho o chamou de macaco, e outros imitaram sons do animal para atingir o atleta.

Em pleno século XXI, casos de racismo ainda são muito frequentes no futebol. Daniel Alves, Rafael Vaz, Michel Bastos, Tchê Tchê, Tinga, Arouca, Kevin Prince-Boateng, Balotelli e Yaya Touré são alguns jogadores que também já sofreram injúrias raciais nos gramados.

 

No beisebol:

Na Major League Baseball (MLB), liga americana de beisebol, os negros também tiveram que conquistar seu espaço. Criada em 1869, a MLB era restrita apenas aos brancos. Os negros, por sua vez, eram obrigados a jogar em ligas secundárias. O filme “42 – A História de uma Lenda”, de 2013, conta de forma brilhante o início da carreira de Jack Robinson, o primeiro jogador negro a atuar na MLB.

Jackie Robinson, o primeiro jogador negro da MLB

Branch Rickey, dirigente do então Brooklyn Dodgers, iria se aposentar. Como seu último ato, queria fazer algo histórico: contratar um jogador negro, jovem, promissor e acima de tudo corajoso para enfrentar todas as críticas e discriminações que viriam.

Em 1947, Jackie estreou pela equipe de Brooklyn na MLB. Depois de muita luta, ele encontrou seu espaço no time e se destacou como um dos principais jogadores dos Estados Unidos. Em 1955, conquistou a World Series pelo Brooklyn Dodgers e, dessa forma, um caminho para outros negros ingressarem na principal liga de beisebol americana foi aberto.

Em 1962, Jackie Robinson entrou para o Hall da Fama do beisebol. Nas ligas americanas de hóquei no gelo, beisebol, futebol americano e basquete, é comum as franquias aposentarem os números dos craques do time. Assim, esse número nunca mais será utilizado por outro jogador.

No caso de Jack Robinson, o feito é ainda maior. A MLB aposentou seu número, o 42, em todas as equipes. Nunca mais, no futuro da liga, um jogador utilizará o número 42. Jack foi o primeiro atleta profissional, em qualquer esporte, a receber tamanha homenagem.

Além disso, foi criado o “Jackie Robinson Day”. No dia 15 de abril, todos os jogadores de todas as equipes usam o número 42. A homenagem é baseada em uma fala do jogador: “quem sabe amanhã todos usemos 42, para que ninguém mais consiga nos diferenciar”.

 

No atletismo:
Usain Bolt, o raio dos 100 metros rasos

Em relação ao desempenho no esporte, os negros são muito superiores e o dominam de forma absoluta. Nos 100 metros rasos, um dos principais objetivos do atleta é correr abaixo dos dez segundos. No entanto, há apenas um homem branco, na história do esporte, a realizar tal feito. Christophe Lemaitre, em 2010, marcou 9,98 segundos no Campeonato Europeu.

Usain Bolt é o detentor do recorde mundial dos 100 metros rasos. O jamaicano marcou 9,58 no mundial de 2009, na Alemanha. Outros grandes nomes da modalidade e detentores de recordes são Justin Gatlin, Yohan Blake, Asafa Powell, Tyson Gay, Jesse Owens. Eles compõem o top 9 de melhores tempos da história. Todos são negros.

Na maratona, também há superioridade. Os países africanos possuem os melhores atletas e sempre são favoritos nas competições. O atual campeão olímpico, Eliud Kipchoce, vem do Quênia. Os dez melhores tempos na história da maratona pertencem a negros. Mo Farah, uma referência na modalidade indoor, nasceu na Somália e é tetracampeão olímpico e hexacampeão mundial.

 

No basquete, os melhores jogadores da história são negros. Michael Jordan, Magic Johnson, LeBron James, Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Bill Russell, Wilt Chamberlain, Oscar Robertson, Karl Malone, Scott Pippen, Julius Erving, Isiah Thomas, Kareem Abdul-Jabbar e entre muitos outros são referências do esporte.

Muhammad Ali e George Foreman, grandes nomes do boxe, são negros. Pelé é negro. Tiger Woods é negro. Lewis Hamilton é negro (primeiro piloto negro a ser campeão mundial). As irmãs Serena e Venus Williams, símbolos do tênis feminino, são negras. Simone Biles, atual sensação da ginástica, é negra. Esses são apenas alguns exemplos de negros que fizeram sucesso no esporte.

O objetivo desse texto não é mostrar que o negro é superior ao branco em determinadas modalidades esportivas, mas demonstrar que eles podem ser tão talentosos quanto os brancos, e que, portanto, devem receber as mesmas oportunidades. A cor da pele não indica se um atleta é bom ou ruim, se uma pessoa possui boa índole ou não.

Para mim, estudante da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devemos repensar nossa visão acerca dos negros. O esporte, assim como a sociedade, deve muito a eles. O que seria do futebol sem Pelé? O que seria do basquete sem Michael Jordan? O que seria do tênis sem Serena Williams? Já imaginou se esses atletas tivessem sido impedidos de praticar esses esportes? De fato, a história seria completamente outra.

Palmeirense apaixonado por esportes. É o melhor entretenimento do mundo!