ONG AZO e a chance de muitas crianças

Projeto pretende incentivar crianças por meio do esporte

A ONG AZO, situada na cidade de Santo André, divide espaço com o Seci, entidade responsável pelo campo de futebol e o time que ali treina.

Desde 2013, a organização não-governamental pretende oferecer às crianças que moram na periferia de Santo André o acesso à internet, cultura, literatura, mas principalmente ao esporte. Com aulas de futebol regularmente, eles acreditam que o esporte ajuda crianças a aprenderem a trabalhar em equipe, terem perseverança, e aumentarem a autoestima. “Tem gente aqui que chegou falando que era moreno, hoje eles falam com orgulho que são pretos”, contou Guilherme de Souza, 25 anos, um dos criadores do Projeto AZO, com um sorriso.

A identificação e percepção cultural é um meio de ajuda para a perseverança das pessoas envolvidas, desde a idade infantil à juvenil. “Temos uma integração, hoje quem é da favela e quem é playboy joga no mesmo time. A gente tenta tirar o preconceito que vem de alguns pais e da sociedade em geral”, disse Guilherme sobre a escalação dos jogos e a formação. Nos últimos dias eles cfototextoompetem o 1º lugar na Liga Estadual, e afirmam que têm chances de ganhar.

Além da área esportiva, a ONG aposta na parte educativa. Um Centro Cultural foi construído no local que antes era apenas um galpão que se usava para fazer churrasco. Seis computadores, uma biblioteca e um local reservado para aulas práticas e teóricas, se alojam sobre o teto coberto de telhas e decorado com fitas coloridas.

O local é quente, o ar condicionado não funciona, e os computadores sofrem de falta de espaço interno para armazenamento de trabalhos ou produções locais. Walisson Santos, 16 anos, é o produtor, fotógrafo e beneficiário do projeto. Antes de realmente se engajar ele nunca havia mexido numa câmera fotográfica: “Eu não sei fazer vídeo, mas eu aprendo”, contou ele entre risadas sobre a primeira conversa que teve com o líder da AZO. Walisson se interessou por ajudar e hoje já edita vídeos no programa Sony Vegas e é o responsável pela câmera da ONG. “O que ele sabe, ele aprendeu no YouTube e o mérito é só dele”, completou Guilherme.

O último vídeo feito por eles foi um clipe de funk baseado na música Ostentação Fora do Normal, feita por MC Léo, e transformado em poesia, escrito por Wendel Alves, 27 anos, um dos professores de lá. “Eu sempre fiz rima e não era essa febre de hoje”, o funk retrata as complicações que a ONG enfrenta na questão de infraestrutura.crianças

Hoje, eles tentam um projeto de expansão e reforma para o espaço. Um anfiteatro, gramado sintético para o campo e a reforma do Centro Cultural fazem parte do que eles veem para o futuro do local. Croquis foram montados dentro de uma apresentação que muda toda vez que é necessário apresentar para uma empresa diferente. “Tem vezes que o projeto demora um ano para ficar pronto, dentro de todos os requisitos e fazer os tramites necessários”, conta Guilherme.

Hoje eles sonham em conseguir pelo menos o gramado sintético, que demanda menos cuidados e menos gastos, já que não é só a ONG que usufrui do local. “Teve um menino que começou a vender droga e veio aqui faz um tempo, nós perguntamos o que faltava, o que precisava porque a gente corria atrás, mas ele me respondeu que faltava amor”, contou, com a voz baixa, Guilherme. O trabalho não supre todas as necessidades das crianças, porém é a perseverança que cresce, “o problema é que tudo isso é estrutural”.

Fora ao futebol, os projetos também englobam outros esportes, como ping-pong, tênis e badminton. Porém todos eles estão parados em poder da prefeitura local.

Texto escrito por Ilana Oliveira e fotos por Louise Hardy, alunas do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.