Ode às saudades

Ode às saudades

Ele com uma daquelas camisetas de banda, das várias que tem e eu com um daqueles amores de adolescente.

Não sei que pózinho mágico que nos permeia na adolescência e que faz tudo ficar mais bonito, mais especial, mais memorável. A questão é que eu nunca conseguiria esquecê-lo. Nenhum fio de seu cabelo moreno ou covinha no final de suas costas, nenhum dente que faz parte de seu sorriso (inclusive aquele mais torto do lado esquerdo) ou aquela cicatriz na parte de trás da sua panturrilha.

É como viver uma história à parte, a adolescência. Tanto que você, leitor, sempre conta ou contará as histórias da sua adolescência da seguinte maneira: “na adolescência…” e não diferencio isso de quando somos crianças, adultos ou idosos. Sempre parece-nos que fomos ou seremos outro, mas se são as mudanças que o mundo nos impõe que fazem isso, eu suspeito, pois nada é de alguém nesse mundo. Nem dinheiro, nem sua casa “própria”, nem seu corpo, muito menos seu amor de adolescente, ou o meu.

No futuro lembrarei de mim. Lembrarei de mim com meu amor, lembrarei de mim sem meu amor, e tudo parecerá ser vivido apenas por aquela pessoa, aquele adolescente que ficará vivo naquela foto pendurada na parede. E sentirei saudades de algo que eu, hoje, não vivi, mas herdei de mim mesmo quando antes eu era outra pessoa.

Texto de Ilana Oliveira, aluna de Jornalismo, 4° semestre

Foto de danielfreddy58