O som de quem somos

Já parou para pensar em um mundo sem som? Risadas, conversas, músicas ou se um bom dia nunca tivessem existido. É como se aquele gato que sempre falaram tivesse comido a língua de todo mundo. Talvez pensem algo do tipo “Sempre dá para usar a escrita ou sinais”, mas vamos voltar um pouco no tempo, antes da criação de tudo isso.

Vamos imaginar no tempo em que as tradições, aquelas que definem a identidade de uma nação ou de um povo, ainda eram transmitidas de forma oral. Elas seriam perdidas? Não haveria um ciclo para explicar essas tradições às gerações futuras. Usando um exemplo mais próximo a nós, como diríamos a uma criança o que é certo ou errado, se estivéssemos em uma época em que não existissem sinais ou escrita?

Ou então um outro exemplo, tente imaginar nunca ter ouvido a voz daquela pessoa que você gosta ou de seus entes queridos. É até estranho como a voz de cada um define uma parte de quem somos, e como associamos um determinado tom de voz com pessoas ou emoções. São coisas intangíveis, e quanto mais nos aprofundamos nisso, podemos nos perder totalmente ou também nos encontrar.

E mais uma questão que muitos devem relacionar: a música. Uma vez ouvi falar que a música favorita é na verdade a transcrição de quem você é em palavras e notas musicais, por isso nos identificamos tanto. Agora imagine que essa música não existiu, pois não havia nenhuma voz para cantá-la, e de repente não há algo que te deixe mais confortável, que te relaxe, te anime ou simplesmente que você se identifique. Nos momentos em que mais precisar, não vai ter nada para ouvir.

Algumas dessas situações podem ser reais, principalmente onde ditaduras silenciam a voz de quem quer se expressar, muitas vezes para sempre. Então sorria e mostre sua felicidade. Fale para que seja ouvido. Grite para o mundo e mostre quem você é. A sua voz é insubstituível, assim como você, porque a voz é algo que nos define e mostra aos outros quem somos. Faça sua voz ser ouvida.