O raso é monótono

Profundidade é algo que assusta a maioria das pessoas. Medo do fundo do oceano. Medo de altura. Medo daquilo difícil demais para se entender de primeira. Daquilo tão vasto que não se alcança o final à olho nu.

Mas o que me assusta nos dias de hoje é o contrário, o raso. Tenho medo de coisas vazias, sem significado, frívolas. Daquilo tão superficial que de perto acaba sumindo, e que se desfarela com a brisa mais leve.

Ultimamente o que mais me atrai é o confuso, o diferente, o complicado. Que vem cheio de histórias, visões, e modos de pensar. Que me apresenta o novo, o desconhecido, e abre minha cabeça como nada mais consegue.

Em uma época em que o fácil, descomplicado e cômodo são as características que mais convidam tantos a sentarem e se acomodarem. O peculiar passa despercebido. Aquele que não parece ser nada demais (ou coisa demais para se entender).

Porque ninguém quer lidar com bagagem. Com o pensamento que diverge do que está acostumado. Com os traumas alheios. Com o externo à zona de conforto. Com o que exige paciência e esforço.

No primeiro deslize o mais fácil é sumir. No primeiro problema, desistir. Na primeira divergência, achar uma desculpa. Afinal, para quê insistir no difícil se o fácil está em cada esquina. Cada mesa de bar e fila de balada. Em cada lugar de sempre.

O que muitos esquecem é que tudo leviano demais se afasta da nossa atenção. Que tudo fútil demais se torna cansativo. Que qualquer troféu dado “de mão beijada”, são só taças vazias. As reais conquistas vêm de se arriscar. De experimentar o novo, o incomum e, por que não, o excêntrico.

As vezes dar uma chance ao oposto, ao único, pode trazer as mais novas experiências. Mudar seu modo de enxergar as coisas mais simples. Alegrar aquele dia chato e rotineiro. E mostrar que os maiores tesouros se encontram nas profundezas.

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Larissa Iole de Freitas

Paulistana propensa a sonhar demais em meio a realidade. Apaixonada por histórias novas, café(s), bons livros e uma boa playlist que acompanhe isso tudo.