O mundo do Jornalismo Gastronômico

“Eu pensava em ser roteirista de novela e na minha infância tinha vontade de fazer adaptação do roteiro de uma novela, mas acabou não acontecendo” diz o atual editor sênior da revista Veja e professor de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Arnaldo Lorençato, que contou um pouco sobre sua trajetória pessoal e profissional.

Esse amor por cinema foi transformado futuramente em um mestrado. “Posteriormente fiz mestrado em cinema. Desde criança já ia ao cinema, desde meus 4 ou 5 anos. Minhas duas opções de curso eram Jornalismo e Letras. Eu não pensava em me graduar em cinema logo de cara porque achava uma profissão arriscada”, afirma.

“Na minha cidade havia um jornal chamado Correio de Pirajuí, e eu comecei a escrever para ele com aproximadamente 12 anos. Eu fazia colaborações especiais. A primeira delas foi uma matéria que se tratava de uma intercambiaria canadense que estava na cidade. Essa foi minha estreia profissional em um jornal de verdade. Depois de um tempo, me tornei correspondente do Estadão – correspondente, naquela época, era responsável por fazer matérias locais para o público em geral – e a minha primeira matéria como correspondente foi sobre uma igreja católica cujo patrimônio cultural estava sendo dilapidado”, completa Lorençato.

Depois de experiências prévias ao curso, o jornalista decidiu mudar-se para a capital do estado a fim de cursar Jornalismo. “A essa altura eu já estava certo do meu curso superior. Saí do interior e vim estudar em São Paulo. Minha vida mudou de eixo desde então. Eu moro há mais tempo aqui do que morei no interior”, afirma.

A vontade de cursar Letras sempre esteve presente. Ainda durante sua primeira graduação, prestou outro vestibular, no qual passou em 4º lugar em Letras, entretanto, não conseguiu finalizar porque ao mesmo tempo estava envolvido com seu mestrado em Cinema.

Por indicação de um professor da faculdade, Arnaldo Lorençato começou a fazer críticas de cinema para um jornal de Santos. Depois, ainda durante a graduação, passou a trabalhar em um jornal de banco, também trabalhou em uma empresa de tradução e entrou para a Abril. “Meu primeiro ofício dentro da Abril foi como carteiro – eu tinha a tarefa de responder a todas as cartas que eram enviadas pelos leitores – e, ao mesmo tempo, eu fazia freela para outras publicações da casa”, afirma.

Apesar de sua saída, voltou depois de um tempo e foi lá que iniciou seu gosto por Jornalismo Gastronômico. “Quando entrei para a Veja, minha principal atividade era cobrir Cinema e depois de um tempo surgiu-me a oportunidade de cobrir a editoria Restaurante por um mês, mas fiquei nessa área por nove anos”, completa.

“No fim de 1999, eu fui para a Gazeta Mercantil, em que fui editor de Gastronomia e Cultura e voltei para a Abril em 2003, onde estou até hoje como editor sênior”, diz o jornalista. Lorençato também já fez inúmeras participações em programas de TV, como Masterchef e Hell’s Kitchen.

Quando se trata de viagens internacionais, o jornalista traz consigo uma vasta bagagem cultural. “Em 2005, o governo do Japão me ofereceu uma bolsa para estudar gastronomia e o mais interessante era o método de estudo: eu podia escolher livremente tipos de restaurantes para entender melhor a culinária japonesa por 15 dias. Em 2008, celebrando os 200 anos de relações comerciais entre o Brasil e Rússia, eu fui convidado para ir à Russia falar sobre comida brasileira. Em 2013, fui para Roma falar sobre a diferença entre comida italiana no Brasil e na Itália”, termina.