O mal do século

Ele se acende antes do dia amanhecer e só se apaga após a lua tomar o lugar do sol. O celular já se tornou um dispositivo obrigatório em nossas vidas. Esquecer esse aparelho em casa, hoje, é tão ruim quanto esquecer uma carteira, ou talvez pior. O mesmo dispositivo que paga nossas contas, armazena nossas fotos, nos conecta com outras pessoas e nos distrai da realidade, também nos isola dela. 

Fui cobrir um evento na semana passada. Me deparei com um grupo de jovens, entre seus 13 a 15 anos. Apesar de estarem próximos, não estavam juntos. Cada um submerso no seu próprio mundo, entretidos com seus vídeos, suas imagens, rolando a timeline infinita de seja lá qual for a rede social. Ninguém conversava, ninguém sequer ousava desviar seus olhos e sua atenção da tela brilhante em suas mãos. Hora ou outra, alguém levantava o smartphone para fazer uma selfie com o colega ao lado, mas segundos depois voltava a concentrar seu devotamento ao pequeno aparelho celular.

Em que momento nossa realidade se tornou tão desinteressante? Quando foi que acumulamos tantos amigos nas redes sociais e tão poucos no dia a dia? Porque parecer se tornou mais importante que viver? É a nova era, uma geração de jovens conectados, mas sem nenhuma conexão.

Texto : Patrícia Vilas Boas

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