O longo caminho até a elite dos Jogos

 

Diversos esportes tentam entrar no calendário das Olimpíadas

Você já parou para pensar como um esporte chega às Olimpíadas? Quanto tempo leva? Os pré-requisitos necessários? Segundo Marcelo Laguna, especialista em esportes, para uma atividade tornar-se olímpica, ela precisa obedecer a algumas exigências do COI (Comitê Olímpico Internacional). Primeiro, precisa ser praticada em 75 países e no mínimo quatro continentes, no caso dos homens, e 40 países e três continentes, para as mulheres. Ainda assim, para entrar no programa olímpico, é preciso passar por uma avaliação do COI, que levará em conta uma lista de 39 critérios que englobam, entre outras coisas, valor agregado às Olimpíadas, história, tradição, popularidade, marketing, audiência de TV etc. Entretanto, mesmo que não seja olímpico, um esporte pode ser “reconhecido” pelo COI, que já é meio passo para buscar um lugar nas Olimpíadas.

Em 2016, dois esportes aparecerão como novidades. O “Rugby Seven” e o Golfe entram em cena, substituindo o “Baseball” e o “Softball”, que foram as atrações em Londres, na última olimpíada. Por sinal, você sabe quais são os critérios que foram a base em 2012? Foram oito, e aqui estão eles: Valor agregado, Governo/ Direção, História e tradição, Universalidade, Popularidade, Atletas, Desenvolvimento e Financeiro. No geral, é preciso ter uma boa base em todos os critérios para se chegar aos Jogos.

O tempo de triagem é quase o dobro do espaço entre as competições. São necessários sete anos para terminar esse processo, que pode colocar o jiu-jitsu em um evento, por exemplo. “Para que um esporte entre, outro precisa deixar o programa esportivo, para assim evitar o gigantismo dos Jogos. O COI estabeleceu um limite de 10.500 atletas e 310 eventos esportivos para cada edição das Olimpíadas”, afirma Laguna.

E tem algum esporte que deixou as Olimpíadas nos últimos anos? A resposta é sim! Cabo-de-guerra, levantamento de peso com uma mão e doze horas de ciclismo faziam parte da programação olímpica. Contudo, devido à falta de popularidade e baixo apelo ao marketing, as modalidades foram eliminadas.

De olho em 2020, oito são os esportes que já passaram pela primeira fase de avaliação: Baseball, softball, boliche, caratê, patinação, escalada, squash, surfe e Kung Fu. Segundo Marcelo, estes esportes poderão atrair a atenção de um público mais jovem.

Além desses, o Jiu-Jitsu, arte marcial utilizada no MMA, não passou no teste, mas ainda sonha com os Jogos. “Acredito que o MMA ainda não atingiu a quantidade de praticantes formais. Existe também o aspecto do entretenimento. As maiores organizações de MMA do mundo apostam bem mais no aspecto do show em si do que na criação de federações”, se entusiasma Roger Costa, mestre em artes marciais. Ainda, segundo o professor, teria de haver a criação de novas regras para o esporte parecer menos violento aos olhos do público geral, facilitando a entrada do esporte nos Jogos.

 

Texto por: Guilherme Perez e Luiz Otávio