O Despertar

Estava ali como quem não quer nada. Sem qualquer aviso prévio. Chegou e fez a festa.

Eu sentia quase que meu coração sair pela boca às vezes. Tinha borboletas em meu

estômago, não sei de mais nada. Tem hora que só quero deitar em um gramado bem

verde, pela vinda da primavera, com aquele frescor de hortelã em meu nariz e

simplesmente olhar para o céu, ouvindo aquela velha música que agora também ganha

um novo significado.

 

É assim quando se apaixona. A rua que antes você demorava centenas de anos para

passar agora parece ser um ou dois passos largos. Um sorriso bobo brota sem querer e

talvez quem esteja a volta ache que se é louco e isso lá possa ser verdade. Afinal, tem

horas que a sanidade diz adeus. É incrível como as coisas mudam, de repente seu olhar

fica mais distraído e começa a reparar nas coisas mais banais. Por isso passo, me perco

na escuridão que o entardecer trouxe e enraiza em meu coração.

 

Noites passam rapidamente com o pensamento longe. Devaneios e mais devaneios se

ajuntam no silêncio que se instaura no ar, seu perfume impregnado em mim me vem

fazer uma visita. E nessa hora meu corpo chama pelo seu que está longe e minha alma

deseja ir encontrar seus anseios, sentimentos, medos, desejos, beijos, paixões, tristezas,

bobeiras para ver se consigo te decifrar. E já não existir mais segredos, palavras

guardadas e nenhuma linha do seu traço que eu desconheça.

 

Ah! Sua voz aveludada como gostaria que o vento na minha janela trouxesse um

murmúrio dos seus sonhos. Eu fecho meus olhos e consigo ver os seus, tão calmos

como as águas paradas de um mar adormecido. E assim caio perco a noção do tempo e

quando olho para janela o dia já chama para um novo capítulo de um livro qualquer.

Estou completamente perdida. O destino tem as coordenadas, mas ainda insiste em

brincar comigo. O que posso fazer? Vou seguir em frente e ver o que trama nas entrelinhas.

 

Foto por seyed mostafa zamani, usuário do Flickr