Ninguém morre quando vive no coração de alguém

Algo me diz que perdi algo. Pode ser que não seja nada demais. Pode ser que signifique uma das coisas mais importantes do mundo.

Tem sentimento que é intenso demais, inquietante demais, e grande demais. Esse não fica guardado no peito, ele explode para todos os lados. É um vício pessoal que atinge quem se prostar no caminho de quem o possui, independentemente da vontade do indivíduo. Automático, com força própria, sem precedentes ou aviso prévio, mas com o mais puro e genuíno sentimento na sua fórmula. O choro e uma perceptível falha na voz podem ser a demonstração de quão fiel e singela é a delicadeza com que você trata determinado assunto envolvendo uma outra pessoa.

Isso tudo é nada mais do que aquela ferida causada por uma arma de fogo qualquer, com calibre desmedido que deixou uma bala alojada no lado esquerdo do peito, onde ela consegue ter mais força e maior capacidade de causar danos. O problema não é essa saudade que a ferida traz viver batendo, o problema sou eu viver apanhando por ter ela no coração.

Saudade não é vazio, é presença. Presença de algo que não está mais ali. A pessoa demora a aceitar isso quando se depara toda manhã com aquela lembrança explícita logo na sua frente, mas dentro dela tem alguma coisa que a faz acreditar que é isso mesmo e ponto final. O sofrimento causado por esse sentimento nasce das inadequações. O que queremos da vida esbarra no que a vida nos oferece. Só o esforço diário e o tempo são capazes de definir algum tipo de resultado. A idéia é não permitir que as insatisfações pessoais de hoje determinem as esperanças futuras, pois nossa vida não se limita ao momento presente.

A vida da gente fica mais pobre quando alguém que a gente ama vai embora, e a pior parte de se despedir é ter que fazer isso todos os dias.

Se o vazio fosse real a gente colocava algo no lugar.