My life as a Teacher

My life as a Teacher

Comecei a dar aula de inglês aos 16 anos – hoje tenho 20 -. Fui chamada pela dona da unidade onde estudei desde os 8 anos, para pegar uma turma pequena de três meninas de 10 anos. Fui a treinamentos e recebi conselhos e apoio de quem já dava aula lá há mais tempo (inclusive meu professor durante todos aqueles anos, minha inspiração), mas mesmo com tudo isso ainda havia um certo nervosismo – Tudo bem! Nada fora do comum.

Eu sabia que era normal o que eu estava sentindo, cheguei ao meu primeiro dia -me lembro bem, era fevereiro de 2013, começo do ano letivo, aquele calor e eu de calça- ainda não tinha descoberto a arte de dar aula de saia longa.

Havia preparado a aula e esperava na sala dos professores, no segundo andar, a chegada do horário (16:30). O relógio finalmente marcou o número pelo qual eu ansiava. Desci rapidamente, pois não queria me atrasar nem um segundo para o primeiro dia. Olhei para o laboratório de computadores e lá estava a pequena Laura, dez aninhos, cabelinho com californianas e talvez um pouco mais apreensiva do que eu para a chegada da nova professora. Apresentei-me e disse que seria sua nova professora. Esperamos alguns minutos a chegada das outras duas alunas que faltavam (as gêmeas mais diferentes que já conheci) e descobrimos que elas não viriam porque ainda estavam viajando. Decidi aplicar a aula toda no laboratório e Laura somente concordou. Eu estava meio perdida e ela quieta demais.

Na aula seguinte, as gêmeas apareceram e comecei a ensinar de verdade como imaginei que seria desde o dia que recebi a proposta de me tornar professora. Durante todo o tempo que dei aula a elas eu aprendi e errei muito, elas eram a minha classe experimental. Eu ainda estava muito perdida, mas aprendi durante aquele tempo tudo que sei hoje sobre lecionar.

Certo dia fui avisada que me trocariam de turma. Daria aula aos sábados e não mais segundas e quartas como dava às meninas; fiquei triste, havia prometido a elas que as ensinaria até o fim do curso, mas por outro lado sabia que elas se adaptariam a qualquer professor, eram meninas de sorriso fácil; crianças.

No meu último dia com as três recebi uma surpresa: uma festinha preparada por elas, com comida, refrigerante, presentes, cartazes e textinhos de despedida em inglês. Ao fim daquela última aula chorei quando recebi o abraço sincero daquelas três garotinhas com as quais havia aprendido tanto. Não chorei porque nunca mais as veria – eu moro há uma quadra da escola de inglês, as visitei algumas vezes depois que parei de dar aula a elas – mas sim por estar deixando minha primeira turma, as menininhas que inauguraram essa fantástica experiência que tenho o prazer de viver até hoje: ser professora.

Nunca pensei em lecionar. Faço faculdade de jornalismo, estou encantada e não pretendo desistir do curso, mas tive a oportunidade de passar meu conhecimento a outras pessoas na forma de uma profissão e estou amando. Cada aluno e aluna que entrou na minha vida até hoje me orgulha e agora sei que quem tem a oportunidade de ser professor tem muita sorte. Nós ensinamos e aprendemos muito. Somos eternos alunos.

 

Texto por Giovanna Dagnino