Mulheres no Jornalismo Esportivo – Alinne Fanelli

Apesar de ainda estarem em minoria no jornalismo esportivo, as mulheres estão conquistando cada vez mais o seu espaço nessa editoria.

Tornou-se usual vermos apenas homens apresentando, comentando ou narrando jogos e programas esportivos, mas nos últimos anos esse cenário vêm mudando. As mulheres estão dominando cada vez mais a cena no Jornalismo Esportivo, e 2018 foi um ano determinante para isso. Durante a Copa do Mundo, diversas mulheres narraram e comentaram jogos do torneio, fato até então inédito na televisão brasileira. A campanha com a hashtag #DeixaElaTrabalhar também mostrou uma manifestação conjunta inédita das jornalistas contra o assédio no ambiente de trabalho, muitas vezes machista, em que estão inseridas. Alinne Fanelli, 28, agora repórter da BandNews FM, comentou sobre o assunto. Ela acompanha majoritariamente o São Paulo. Fanelli se formou em jornalismo pela Unifae, em 2010, e é pós-graduada em Jornalismo Esportivo pela FMU.

RV – As mulheres ainda são minoria no Jornalismo Esportivo. Como é trabalhar em um meio predominantemente masculino?

AF – Honestamente, eu nem percebo muito no dia dia que estou sempre cercada de homens. Às vezes, no CT do São Paulo, alguém comenta “percebeu que só está você de mulher aqui?”. Acho que eu não reparo nisso porque eu venho de ambiente masculino. Meu tio era treinador de futebol, então eu vivia no clube vendo os treinos, os jogos, nos churrascos. Eu me acostumei muito com esse universo desde cedo, então acaba sendo muito normal para mim.

RV – Você já sofreu algum tipo de assédio de jogadores, técnicos, torcedores ou dos próprios jornalistas?

AF – Não passei por nenhuma situação muito séria com ofensas ou algo que saísse do comum. Claro que já houve cantadas, brincadeirinha como “vou te atender porque você é bonitinha”, mas nada além disso. A postura que a gente adota no trabalho é o que vai nos fazer ter reconhecimento.

RV – Não há muitas mulheres na narração esportiva, na sua opinião o que falta para as mulheres conquistarem mais espaço nesse segmento?

AF – A narração eu entendo que ainda é um longo caminho a ser percorrido. É estranho, ainda, aos ouvidos de todos, ouvir uma narração de uma mulher. O Esporte Interativo abriu essas portas, o que foi muito legal, mas vi muitas críticas. Homens que criticaram pelo fato de ser mulher e outros que criticaram pelo trabalho. Falta a confiança das empresas, a aposta mesmo. Entendo que elas tenham receio por questão de aceitação do público, então talvez fosse legal algo gradual. Sabemos que profissionais bons e ruins existem em todos os lugares, independentemente de gênero.

RV – Qual o seu conselho para as futuras jornalistas esportivas não desistirem da área?

AF – Para sempre estudarem, se preparem, porque é um meio que vai nos cobrar, infelizmente. Como se fosse uma prova diária. Mas que não desistam dos seus sonhos. Pode ser difícil, pode parecer maluco, mas tem de persistir. E a profissão pode até nos mostrar rotas diferentes durante a caminhada, isso é legal. É gostar, se preparar, não só em termos de conhecimento, mas também em termos de postura.

Para Thaís Mariano, estudante Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a inserção cada vez maior das mulheres no Jornalismo Esportivo ajuda a quebrar mais um tabu “provar que mulheres podem e devem ocupar o lugar que quiserem e fazer o que gostam é importante, além de atrair o público feminino para o esporte.”