Mulheres na Guerra

Anos 10 Anos 20 Anos 30

                            Anos 40 New Look
                                        Anos 10, 20,30,40 e New Look da esquerda pra direita.Fotos: Reprodução.

 

Nos dias de hoje as mulheres são independentes e possuem liberdade de escolha para se vestirem da forma como quiserem. Ainda assim é legal saber como as mulheres do período entre guerras se vestiam e expressavam-se.

A década de 1910 ficou marcada entre a Belle Époque –caracterizada pelo luxo, sofisticação e alegria de viver- e a 1° Guerra Mundial. Esse período ficou marcado pela simplificação das roupas femininas, pois já que os homens foram para o front de batalha, as donas do lar tiveram que sair de suas casas para o mercado de trabalho. Dessa forma suas roupas deveriam ser confortáveis e práticas. De tal modo peças como o espartilho, mudança idealizada por Poiret, foram deixadas de lado, bem como as bainhas das saias facilitando assim a locomoção das mulheres.

Após a Guerra, os vestidos voltaram a ser utilizados, porém dessa vez com detalhes diferentes do que os anteriores. O comprimento da saia diminuiu, além de agora apresentar uma modelagem mais reta. É a partir dos anos 20 que a moda torna-se acessível a todo o público, pois muitas mulheres faziam suas roupas em casa. Há também um toque andrógeno nos estilos das roupas que não destacavam mais as curvas femininas, o cabelo “à la garçonnet” curtíssimo e os chapéus tipo cloché entram em cena, caracterizando assim uma mudança no comportamento feminino, influenciadas por Coco Chanel.

A partir da década de 40, devido a Segunda Guerra Mundial, a sociedade começou a mudar e por consequência isso foi expressado na forma como as pessoas se vestiam e faziam moda.

Nesse novo ambiente a versatilidade tornou-se de extrema importância, agora as mulheres que utilizavam anteriormente meias de nylon – que haviam sido consideradas o extremo do confortável anteriormente – passaram a utilizar calças ao entrarem na força de trabalho do mercado, antes utilizadas somente em horários de lazer.

O estilo militar também foi aderido e permaneceu até o final dos motins. A mulher passou a utilizar roupas e sapatos sérios, com o tailleur e saias um pouco mais curtas e estreitas. Por novamente os preços dos tecidos subirem as mulheres reformavam e utilizavam materiais alternativos em suas roupas como viscose e fibras sintéticas. O único seguimento do vestuário que não recebeu cortes tão bruscos foi o de chapéus. Turbantes eram utilizados tanto para esconder o cabelo danificado que as mulheres possuíam na época quanto para simbolizar a guerra.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial como forma de recuperar a feminilidade perdida das mulheres após tanto tempo de restrições, entra em cena o New Look, estilo presente por três anos que tinha como característica o uso de até 50 metros de tecido na elaboração de apenas uma peça. Muitas mulheres acabaram utilizando suas cortinas e lençóis para fazerem suas vestimentas já que tecido ainda era muito caro, com isso acabaram incentivando a indústria têxtil a voltar a produzir. Com o passar do tempo às restrições que antes o governo havia estabelecido à moda e à alta costura tornaram-se menos rígidas e dessa forma as Maisons reabriram e continuaram a fazer moda, tornando a devolver as cores perdidas em um mundo cinza antes determinado pela guerra.

Nós conversamos com a professora Selma Felerico sobre o assunto para entender um pouco mais como foi esse período para a mulher. Confiram!

RV: Como foi essa passagem do cuidado somente da casa e dos filhos para o trabalho braçal e extenuante nas indústrias, fazendo com que as mulheres vivessem em uma dupla jornada?

Quando a gente pega nesse século XX, nós estamos falando principalmente nesse período de pós-guerras, a gente tem duas coisas importantes pra pensar em que a gente tem um padrão de roupa pra mulher, padrão que vinha da revista […] ela ditava duas coisas na vida da mulher, as duas grandes preocupações: Como a mulher se veste e como ela arruma casa dela […]. Até principalmente a segunda guerra, esse era o grande papel da mulher, tirando ela ser preceptora, professora, educadora, enfermeira, médica e secretaria, não era lhe dado um grande papel social.

RV: E a questão do vestuário, como foi já que não havia mais tecido ou fábricas para a produção de roupa?

Havia um reaproveitamento de roupas de guerra. Quando você pega uma roupa pós-guerra, que a mulher já tá… Ela deu um pouco mais luz a suas formas, você pega a mulher nos anos 30/40 com um monte de saias, saiote, ‘blusinha’… era difícil subir num bonde, era difícil ela se arrumar e aí o que acontece ela vai a trabalhar e aí ela começa a se vestir como um homem, de terno.

RV: Como foi essa mudança da mulher sair de casa pra começar a ocupar lugares que não ia antes?

Ela foi se adaptando, é muito fácil. Não tinha mais homem então ela teve que trabalhar no lugar dele.

RV: Esse momento da história, entre as duas guerras permitiram que as mulheres saíssem de casa. Você acredita que isso possa ter feito com que elas percebessem que havia um mundo fora do lar e que era possível continuar nesse mundo depois que a guerra acabasse?

O que acontece não é que lhe foi dado o direito como: “Nossa, essa mulher é maravilhosa então vai ser a dona da empresa por que merece’.  Morreu o filho, morreu o marido, eles foram para a guerra. Então o que acontece… ela vai assumir o espaço, não tinha mais homem pra por e então eu vou colocar a mulher. E aí como qualquer ser humano, quando você dá um espaço pra ele, como é que você vai colocar ele de volta pra casa? A mulher foi trabalhar e tem isso em filme, a gente nem precisa ter vivido na guerra pra saber. Ela cuidou do campo, da fazenda e da farmácia do marido por que ela ia voltar atrás, não é verdade?

RV: Havia também a questão da roupa em alguns períodos carregar um tom mais escuro, mais sóbrio.. Isso tem a ver com o luto?

Ela veio sim sóbria, mas apesar de eu sair no salão, dançar, beber, tomar uma champanhe… na vida real eu ‘tô’ vivendo um período que muita gente perdeu a família. Um período de luto. As roupas são sérias e sóbrias porque as pessoas perderam seus entes queridos. As famílias tinham umas 8/9 pessoas e aqui tem um monte de gente viúva, um monte de gente sem pai por que perderam na guerra. E aí a gente começa a ter aquilo de ‘We can! Nós podemos!’

RV: E o papel da moda seria

Para reaproveitar as roupas que as pessoas tinham e amenizar o sofrimento das pessoas.

E aí? Gostou? Deixe a sua opinião nos comentários!

 

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Ana Caroline Lopes e Selma Felerico,professora da UPM.