Mulheres na Arquibancada – Corinthians

Corintianas comentam sobre a presença das mulheres na torcida do Timão

A torcida do Corinthians é uma das maiores do Brasil. As mulheres representam uma boa parte da massa corintiana, e mesmo com a sua grande representatividade, elas ainda lutam por igualdade e respeito nas arquibancadas. Apesar disso, elas não deixam de apoiar e de empurrar o Timão, como é o caso de Thaís Cordeiro (23), Thaís Lunardi (21) e Beatriz Dornellas (18).

Thaís Lunardi em jogo na Arena Corinthians

“Vou em praticamente todos os jogos que tem na Arena. Do começo do ano até agora, só não consegui ir em um porque estava viajando”, comentou Thaís Lunardi. A torcedora também relatou que é mais difícil ir em jogos fora de casa, por conta da rotina. Beatriz Dornellas também vai ao estádio com frequência, e sempre que pode acompanha de perto os jogos do Timão. Thaís Cordeiro costumava ir em quase todas as partidas, mas “agora com o desemprego, eu tento ir em pelo menos 1 jogo por mês. Se eu fico muito tempo sem ir em algum jogo, já fico maluca de saudades da bancada”. 

O amor que elas têm pelo Corinthians é o mesmo de um torcedor do sexo masculino, assim como a dedicação pelo time e o apoio. Mas muitas vezes, sofrem preconceito apenas por serem mulheres em um ambiente composto predominantemente por homens. Muitas vezes, precisam provar o seu entendimento acerca de futebol e do Timão para mostrarem que realmente entendem do assunto. “É aquela coisa né, quando se é mulher, a gente é cobrada por coisas que homens não seriam cobrados nunca. Temos sempre que de alguma forma “provar” que merecemos estar ali e que merecemos o respeito dos homens, sendo que isso é um direito nosso”, declarou Cordeiro. Lunardi comentou que os torcedores comentam com os amigos que duvidam que elas realmente saibam de futebol. Para Beatriz, incomoda o fato de “acharem que estamos ali só por conta dos jogadores e sua beleza, que não podemos gostar de futebol”.

Beatriz no estádio do Timão

Além de ouvirem questionamentos sobre a sua paixão pelo Corinthians, elas ainda têm que lidar com o desrespeito e o assédio presente nos estádios de futebol, que vêm sendo discutido e combatido cada vez mais nos últimos anos, como em um movimento iniciado e realizado pelo próprio Timão em 2018,  com os dizeres #RespeitaAsMinas. “Nunca sofri assédio no estádio”, comentou Cordeiro. “Mas já presenciei cenas de homens gritando com mulheres, dizendo que estavam cantando errado, desrespeitando pelo shorts que estavam usando em um dia quente”, completou. Lunardi comentou que já sofreu preconceito no estádio, e Beatriz também.

As torcedoras vão acompanhadas na maioria das partidas. O ambiente dos estádios de futebol, muitas vezes machista, acaba deixando algumas mulheres com medo de irem sozinhas aos jogos, como relatou Beatriz “Sempre fui acompanhada por questão de medo, mas agora indo com mais frequência me sinto mais “tranquila” caso tenha que ir sozinha”. Thaís Lunardi ia sozinha ao estádio quando começou a frequentar os jogos, e sentia um pouco de medo. Agora, a torcedora vai com um grupo de amigos. 

Thaís Cordeiro começou à acompanhar partidas em estádios de futebol em 2013. Na época, ia com o namorado, e nem passava pela sua cabeça ir sozinha à um jogo de futebol. Quando o namoro acabou, foi sozinha a cerca de 3 jogos, até que conheceu os amigos que a acompanham desde então. “Já fui para o Chile ver o Corinthians na Libertadores com três amigas, e entre a gente sempre acaba saindo umas “caravanas” para ir em jogos em outros estados ou em outras cidades de SP, como Campinas e Araraquara”. Em relação ao medo de ir sozinha, Cordeiro disse que “sempre acaba rolando aquele desconforto de se sentir muito observada por parte dos homens, ouvindo aqueles comentários desnecessários durante o caminho, coisas que acontecem não só no âmbito do futebol, infelizmente.”

Uma saída para não deixar de ir aos jogos do Corinthians por não ter companhia, é participar de algum movimento feminino, que é formado por torcedoras que se reúnem para não irem sozinhas aos jogos. Cordeiro faz parte da administração do Movimento Alvinegras junto com mais 10 torcedoras. Segundo ela, o coletivo é para aquela torcedora que “tem receio de ir sozinha ou que acha que precisa da figura masculina para ir acompanhada. Sempre fazemos pontos de encontros para irmos todas juntas assistir aos jogos”, explicou. Elá também indicou outros movimentos, como o “Loucas por Ti” e o “Movimento Toda Poderosa Corinthiana”, que tem um ideal mais político.

Cordeiro comentou que a mensagem que os movimentos querem passar é a de que “mulher nunca foi proibida de ir em jogos, é fato. Mas acontece muito da mulher não querer ir sozinha por medo de assédio, de ser de certa forma intimidada pelos homens pela forma que estão vestidas, maquiadas, se estão cantando, se estão no celular”, explicou. A intenção dos coletivos é trazer segurança para as torcedoras, mostrar que “juntas nós podemos, é o mesmo que estender a mão e dizer: vamos comigo e a gente se ajuda. Porque é sempre nós por nós”, completou Cordeiro.

Movimento Alvinegras

A relação com o Corinthians

Beatriz Dornellas se apaixonou pelo Timão por influência familiar. “Desde pequena sou acostumada a assistir os jogos. A relação começou por influência do meu avô, que estava sempre acompanhando o Corinthians”. Já Thaís Lunardi, praticamente se apaixonou pela primeira vista. Ela sempre gostou de assistir os jogos do Corinthians desde pequena. “O meu pai é torcedor do São Paulo e sempre tentou me fazer torcer para o mesmo time que ele. Mas não tem jeito, desde o primeiro jogo do Corinthians que assisti, o meu coração bateu forte e não tive mais dúvidas de qual time queria acompanhar.

Thaís Cordeiro em jogo no Chile, contra o Colo-colo

O início da relação de amor de Thaís Cordeiro com o Corinthians é semelhante ao de Thaís Lunardi, assim como o nome das torcedoras. A paixão de Cordeiro pelo time surgiu desde nova, quando estava procurando algo na televisão para assistir e passou por um canal que transmitia o jogo do Timão. “Estava passando um Majestoso contra o São Paulo e fiquei assistindo, quando o Fenômeno (Ronaldo Nazário) fez um gol e saiu adoidado com os braços cruzados comemorando”, disse Thaís. O jogo valia pela semi-final do Campeonato Paulista de 2009, que o Alvinegro venceu por 2×0. “Me apaixonei naquele momento pelo Corinthians e pela torcida”, completou Cordeiro. 

Beatriz e Lunardi nunca fizeram uma loucura pelo Timão, mas Cordeiro sim. “Minha maior loucura pelo Corinthians até o momento com certeza foi viajar pra outro país só pra ver ele jogar, sem saber falar NADA de espanhol nem de inglês, e com quase nada de dinheiro”.

Essa matéria faz parte da série “Mulheres na Arquibancada” produzida pela Redação Virtual da Universidade Presbiteriana Mackenzie  . Veja também a matéria sobre as torcedoras do Palmeiras e do São Paulo.