Meu nome é Terra

Galáxia, 22 de abril de 2016.

Queridos habitantes,

Escrevo-lhes essa carta porque estou muito doente e necessito de ajuda, afinal, nenhum de vocês existiriam sem mim. Vocês provavelmente devem estar se perguntando quem sou eu, talvez não façam ideia de quem escreve, então, vou contar a minha história.

Existo há pelo menos uns 200 milhões de anos, sou gigante pela própria natureza, geograficamente perfeita com minhas imperfeições, mais de 7 bilhões de pessoas habitam no meu corpo celeste, dona de tudo, dona da vida, prazer, eu sou a Terra; mas pode me chamar de Planeta Cinza, apesar de por muito tempo ser conhecida como Planeta Azul acho que esse apelido não cabe mais em mim pois muitos dos meus filhos não souberam cuidar de mim e cá estou eu, velha e desgastada, mas sempre seguindo em frente com esperança de que tudo possa mudar.

Minhas riquezas foram muito exploradas e não souberam se aproveitar dos meus ciclos naturais, pode até parecer ambíguo mas sou uma jovem senhora pois mesmo sem os mesmos recursos naturais de antigamente tenho tudo, afinal sou feita de camadas não só na atmosfera mas também dentro do meu próprio mundo existem vários mundos compostos por seres únicos e com uma diversidade imensa desde sotaques até espécies diferentes, amo ser quem sou entretanto ando me sentindo muito quente, sou vizinha do sol mas sinto mais calor que o normal, será que cheguei naquela fase da menopausa? Talvez tenha sido todas essas fábricas poluindo os meus ares, ou talvez seja todo esse lixo jogado no lugar errado que me deixou imunda, depois de ter passado por tantas guerras o que eu mais gostaria no momento era descansar, mas sou obrigada a conviver com essa doença terrível diagnosticada como aquecimento global, todo dia as temperaturas estão cada vez mais extremas todo dia e nem se quer tenho água suficiente para me refrescar.

A situação está difícil, mas acredito no ser humano, pois se é possível me trazer tanto transtornos sei que também é possível arrumar toda essa bagunça, se nenhum terremoto foi capaz de me abalar não vai ser isso que vai mexer com as minhas estruturas! Ainda tenho muita coisa para viver pela frente, minha expectativa de vida é tão grande que chega a ser imensurável mas para que isso ocorra peço encarecidamente para que meus filhos cuidem melhor de mim, plantem mais árvores, reciclem mais, poluam menos e economizem mais água e energia caso contrários todos poderão correr o risco de não me ter mais por perto.

Espero que tenham compreendido o recado e me deem forças nesse momento de aflição e desespero, minha condição não afeta só a mim mas a tudo e todos, pensem com carinho e reflitam mais sobre as atitudes.

Com amor, Mãe Terra.


Foto: amydykstra – Usuário do Flickr