Meu cabelo, minha consciência

unnamed-2Na semana da consciência negra é muito comum relembrar grandes personalidades negras que mudaram suas gerações e até hoje servem de referência. A moda e a beleza por exemplo, sempre foram grandes responsáveis por fazer de pessoas bem confiantes de si mesmas, espelhos para multidões.

A propósito, meu nome é Brian Alan, e vou contar um pouco sobre as minhas referências. Meus pais são uma imagem clara da miscigenação brasileira, mãe branca de olhos verdes e cabelo liso, e meu pai negro, de cabelo crespo. Eu cresci seguindo o que meu pai fazia com seu cabelo, que era raspado. Era feliz daquele jeito, meu pai foi primeira referência de beleza e moda, porém chegou uma época que quis saber como seria deixar meu cabelo crescer. Bem, o tempo passou e ele cresceu, não tão crespo quanto muita gente pensaria que fosse, é muito comum infelizmente ouvir pessoas falarem do cabelo de meninos e meninas negras, dizendo ser “ruim”, mas afinal, quem pode dizer se um tipo de cabelo é bom ou ruim? Mantive meu black e segui em frente.

Em minha adolescência eu voltei ao estilo carequinha, era mais prático. E foi nessa época que mudei muito minha visão sobre mim. Entre os meus amigos a grande maioria era careca, por serem a maioria deles negros, e acharem seus cabelos ruins, então eis que conheci um amigo que tinha um black, já havia passado anos desde que eu tinha o meu. De conversa em conversa eu percebi que aquele cara tinha uma confiança e orgulho de si mesmo, que dava até uma inveja; “Eu quero ser igual esse cara” eu pensava.

Acabando meu ensino médio eu deixei meu cabelo crescer novamente e depois entrei na faculdade. Foi uma nova fase e  por acaso unnamed-1ou não, os negros na sociedade começaram a mudar certos estereótipos, “ser preto era moda”, você lembra dessa frase recente caro leitor? Enfim, seguindo a história. Depois de entrar na faculdade, convivendo com brancos, negros, ruivos e etc, eu só confirmei uma coisa que já achava ser bem certa: “Eu tinha orgulho de ter o cabelo que eu tinha, os traços negros que eu tinha”.

Hoje, bem mais do que algo estético, meu cabelo é para mim uma característica que me faz lembrar das origens, e também como um passaporte para interagir com pessoas de diversas etnias, seja o negro(a) que me vê na rua e diz, “Cara, que cabelo legal hein”, ou o branco que diz “Rapaz, num mundo tão igual seu cabelo é algo único e de muito estilo e personalidade”. Fui criado tendo como referência o meu pai, que me ensinou a ter como referência máxima, eu mesmo. Pois no fim das contas, cada pessoa possui características únicas, e como cresci ouvindo,“ Devemos ter orgulho de nossas características”. Mais do que estético, meu cabelo black, crespo e estiloso (por quê não) me ajudou a ver quem eu era, e hoje eu sei quem sou. Brasileiro, 21 anos, negro e acima de tudo, consciente.

Texto por Brian Alan Parris Reis, aluno de Jornalismo.