Manifestações culturais e sociais marcaram a comunidade negra em 2020

Por Giovanni Santos

O ano de 2020, muito difícil e triste, pela pandemia do coronavírus, está caminhando para o fim. No entanto, neste mesmo ano, também houve pontos positivos, e pode-se ressaltar os diversos acontecimentos no Brasil e no mundo interessantes para a comunidade negra. Zendaya, pessoa mais jovem e segunda negra a vencer o Emmy de melhor atriz, foi um deles. A ascensão do Movimento Black Lives Matter foi outro, o processo de trainee da marca Magazine Luiza, apenas para negros, também, Lizzo capa da Vogue Americana, com um belo discurso de vitória, idem. Em meio a todos os acontecimentos, vemos o protagonismo da comunidade negra.

Para a coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado no Brasil (MNU), Leda Leal, todas estas questões são resultados de um povo que chegou aqui primeiro, o berço da humanidade, mas sempre sofreu muito: “nós fomos violentados, mas esse caminho que estamos traçando é um novo movimento para vida; hoje, o trajeto na nossa organização é esse para a tomada significativa de diversos poderes, não mais sobreviver de migalhas, pois já aprendemos com isso”.

O processo de trainee, focado aos negros e pardos, lançado pelo Magazine Luiza, teve como objetivo equivaler a diversidade de raças dentro da empresa, porém, ao ser apresentado à população, houve debates e grande repercussão com pessoas favoráveis e contra. Segundo Leda, a empresa viu a necessidade de agir assim: “Foi um estudo em que a empresa viu a necessidade de abrir portas para a comunidade negra, pois existem pessoas preparadas para ocupar tais espaços e a empresa percebeu que o racismo retira as possibilidades do negro. O magazine Luiza acerta quando percebe que o mundo mudou”.

Outra importante manifestação em escala mundial foi o movimento Black Lives a Matter, após uma injustiça cometida por um policial contra um homem negro, George Floyd. Parte da população norte-americana parou para protestar em busca de justiça.

De acordo com imprensa dos Estados Unidos, um a cada dez norte-americanos adultos participaram de alguma das manifestações em apoio ao movimento. Leda ressalta o empoderamento de uma comunidade. “Precisamos levar mais conhecimento para a população negra, fazer com que ela conheça seus direitos, reaja e se posicione”, diz Leda.

O MNU acredita que as políticas de afirmação devem se propagar pelo Brasil e a sociedade brasileira está caminhando em busca de um mundo mais igual e justo. “Agora, o caminho está aberto, então, iremos em frente, com todas as dificuldades, fazer deste país um mundo absolutamente melhor para vivermos. Queremos viver, queremos morar, queremos comer, queremos estudar, queremos frequentar todos os espaços da sociedade, e nos reinventarmos”, finaliza Leda.