América Latina na literatura, de quem é a culpa?

O dia 6 de março marca o aniversário de uma importante figura para a representatividade latino-americana no mundo literário: Gabriel García Marquez. Falecido em 2014, o colombiano completaria 91 anos em 2017. Seu legado, portanto, não tem data de validade. Conhecido por dar voz a uma cultura pouco explorada na época, o autor é considerado, até hoje, o escritor mais famoso e amado da América Latina.

Marquez quebrou os estereótipos que marcavam o povo latino-americano, que eram diminuídos intelectualmente em relação aos países considerados de primeiro mundo. O colombiano apostava no realismo mágico, a fusão de elementos do universo mágico à realidade. Ou seja, elementos irreais e pouco comuns eram tratados como fatos habituais e normais. Em 1982, Marquez vence o Nobel de Literatura, dando maior visibilidade às características do seu estilo literário.

Cem anos de solidão, a obra mais famosa de Marquez

Sua maior obra, Cem anos de Solidão, foi publicada em 1965 e teve mais 30 milhões de exemplares no mundo inteiro. O livro conta a história da família Buendía e do seu decorrente desenvolvimento a cada geração. É um romance para abusar da reflexão, de fato. O leitor pode observar como Marquez captou de forma cativante a ideia de um eterno retorno nas relações da família Buendía. Não é uma leitura simples, realmente, mas transmite uma mensagem deliciosamente curiosa.

Além desse título, Marquez também é conhecido por “O amor nos tempos de cólera”, “Crônica de uma morte anunciada”, “Notícia de um sequestro”, entre muitos outros. Sua coleção de obras envolve debates políticos, culturais e históricos da cultura latino-americana. E, por isso, tamanha importância para o escritor colombiano. Marquez deu visibilidade, oportunidade e espaço àqueles que nunca tiveram as histórias contadas.

O professor de literatura no curso de jornalismo, Renato Modernell, comenta sobre o autor e sua contribuição para a literatura estrangeira. “Entre aqueles que participaram do bom da literatura latino-americana, talvez ele não tenha sido o melhor. Mas sim aquele que escreveu o livro mais representativo da América Latina como entidade cultural, o Cem Anos de Solidão. Com as suas borboletas amarelas e suas coisas mágicas, esse livro acabou sendo um marco que mostrou uma América Latina inesperada para o mundo”.

Modernell comenta, também, como a utilização da técnica teve grande relevância para o conjunto da obra. “Ele usa muito a técnica jornalística. Trabalhando como jornalista, ele soube muito bem aproveitar isso na literatura. Tudo de uma maneira que, à primeira vista, você não percebe a complexidade. Os livros dele parecem, na sua maioria, que podem ser lidos por qualquer um e que é uma leitura fácil. Ele usa uma técnica que não é de exibicionismo, é uma técnica de detalhes.”

Ficou curioso para saber mais sobre o trabalho do escritor? Nesse link você pode encontrar 50 frases impactantes na trajetória de Marquez. Mas já deixo aqui a minha preferida:

“Há um momento em que todos os obstáculos são derrubados, todos os conflitos se apartam e à pessoa ocorrem coisas que não tinha sonhado, e então não há na vida nada melhor que escrever. Isso é o que eu chamaria de inspiração.” 

A assinatura do escritor
Camila Oliveira

Paulistana de berço mas o coração é um pouco de cada lugar que passei. Sou uma mistura de momentos, experiências e tenho muita história para contar. “Life isn’t about waiting for the storm to pass. It’s about learning to dance in the rain”.