Lesões no Futebol Brasileiro

Departamento médico do Corinthians comenta sobre lesões no futebol e casos importantes

O futebol brasileiro sofreu com muitas lesões desde o começo de 2018. Daniel Alves  (lateral-direito do PSG), Pedro (atacante do Fluminense) e Everton (atacante do São Paulo) são alguns exemplos de jogadores que estavam em boa fase nas suas carreiras e foram interrompidos por conta das lesões.

Caio Borges, estudante de jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, diz que em sua opinião quem perde mais com as lesões é o time, e não próprio jogador.

Tivemos a oportunidade de conversar com o atacante do Corinthians Jonathas, 29, que sofreu com uma lesão de grau 1 no jogo Corinthians x Cruzeiro dia 25 de julho. “Sofri um estiramento na posterior da coxa direita. É uma lesão chata de ser tratada, pois não pode haver sobrecarga para não voltar outra vez. Não tenho previsão de volta. Eu espero que em menos de uma semana eu retorne aos gramados.”

Paulo Vieira, o fisioterapeuta mais antigo do departamento médico do Corinthians, atua no clube desde 1996, e contou um pouco do motivo do Brasil sofrer tantas lesões: “O excesso de jogos em uma temporada influência o aparecimento das lesões. No Brasil, uma equipe pode atingir até 80 jogos por temporada, com isso os jogadores fazem um esforço maior e tendem a sofrer mais lesões. Diferentemente dos campeonatos europeus, que tem em média entre 50 e 60 jogos.”

Paulo toca no assunto do calendário do futebol brasileiro, assim, questionamos se ele acha o cronograma justo com os jogadores: “Não é questão de ser justo ou não. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) propõe o calendário e os clubes aceitam. Então a questão real está na aprovação dos clubes deste cronograma.”

Com esse problema do número de jogos ser elevado aqui no Brasil, os clubes devem fazer certas medidas e seguir determinados protocolos para que sofram menos com lesões. “Existe uma serie de protocolos para a prevenção de lesões. Todos os times deveriam fazer um trabalho de core no atleta, alongamentos e muitas outras avaliações que servem para verificar se o atleta está com uma boa estrutura muscular e de flexibilidade. Isso tem que ser feito pelo clube regularmente.” Explica Paulo.

Pedimos para que Paulo conte algum caso que cuidou durante sua carreira. “Um caso recente foi do meio-campista Danilo. Ele teve uma fratura exposta na tíbia e na fíbula da perna direita. Demorou bastante tempo para se recuperar, mais de um ano até ele voltar aos gramados.”

Fomos ao consultório do Dr. Joaquim Grava, médico do Corinthians para conversar mais sobre o assunto e ele contou um pouco de suas experiências no ramo.

Grava acredita que o Brasil não sofre mais lesões que os outros países e comenta, assim como Paulo Vieira, o calendário proposto pela CBF: “Esse cronograma dificulta muito o profissional, é totalmente exaustivo. Além do fato de ter muitos jogos, a distância e o transporte são outros fatores que também atrapalham os jogadores. Por exemplo, se o Grêmio for jogar com o Ceará são mais de 6 horas de viagem, é muita coisa.” Acrescenta Grava.

Aproveitamos para perguntar também se existiu algum caso polêmico na sua carreira “A imprensa sempre vai achar polêmica nisso tudo. Como por exemplo o caso do Fagner. Eu disse que ele ia ter um prazo de recuperação de duas a três semanas e acharam que ele não tinha lesão alguma, que eu inventei só para ele não ir aos amistosos da seleção e poder jogar contra o Flamengo na Copa Do Brasil. Você acha que eu ia deixar o Fagner de fora de três jogos e da seleção só para isso?”

Joaquim Grava comenta também da homenagem que o Corinthians fez ao inaugurar o CT Joaquim Grava em 2011: “Foi uma homenagem que não dá pra se sentir, quem sente homenagem é um filho de um falecido, então eu curto a homenagem. Fico feliz e grato pelo Andrés ter feito.”

A lesão mais grave que Grava se lembra foi a do Maicon Leite, em 2009, quando teve uma luxação no joelho e precisava reconstruir todos seus ligamentos. “Eu até achei que o Maicon não ia conseguir mais voltar a jogar bola. Ele se superou. Sua lesão foi considerada a mais grave pela estatística da FIFA.” Afirma Grava.