LabEx

O Laboratório Experimental de Jornalismo (LabEx) da Universidade Presbiteriana Mackenzie) é um projeto idealizado para que as principais atividades e experiências dos alunos, em jornalismo, ao longo de sua vida acadêmica, acima de tudo as mais inovadoras e diversas, sejam divulgadas ao público externo.

Especialistas debatem o uso de dados na comunicação com alunos da disciplina de Jornalismo de Dados

Da esquerda para a direita, de cima para baixo, Marcelo Soares, Professor Marcelo Lopes, Professor Paulo Ranieri e Sérgio Denicoli.

Patrícia Vilas Boas

Na sexta-feira (04), os jornalistas de dados Marcelo Soares, fundador da Lagom Data, e Sérgio Denicoli, CEO da AP Exata, agência de recolhimento e análise de dados, conversaram com os alunos do 8º semestre de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Na pauta do debate, uso e manuseio de dados na profissão, a automação na internet e o discurso de ódio nas redes sociais.

Marcelo, dentro de sua plataforma, foi responsável por levantar dados sobre a Covid-19 no Brasil e disponibilizar os números com diversidade de filtros e especificidades, levando em consideração a abrangência territorial e cultural do país. “A gente entrava no site do Governo Federal e via os números muito agregados por estado”, conta. “Pelos meus metadados, consigo ver capital, interior, região metropolitana, litoral, só Amazônia, só Nordeste, semiárido etc.”

As ferramentas de coleta e análise de dados, hoje, permitem traçar cenários mais aprofundados da situação atual do país e auxiliam na tomada de decisões estratégicas e importantes como a reabertura do comércio e escolas em cada região. No jornalismo, os números se tornam pautas e os mapas, informações confiáveis e relevantes para a população.

Plataforma Lagom Data separa os casos da Covid-19 no Brasil por Estado, Município, Capital e demais regiões.

Pensando nisso, o jornalista criou uma newsletter para informar as pessoas sobre a pandemia no mundo, onde traz updates semanais dos casos e dos impactos sociais e econômicos com base nos dados recolhidos, representados em gráficos, texto, imagens e infográficos, a “Lagom Insights”.

O especialista e jornalista, Sérgio Denicoli, apontou a falta de transparência e disponibilidade de dados no país e a importância do trabalho jornalístico de explorar essa área. “O Brasil é um deserto em termos de informações”, diz. “Eu acho que é um campo vastíssimo para a comunicação poder explorar. Não só o caso da Covid-19, mas qualquer tipo de área”. Ele cita como exemplo o cálculo do PIB (Produto Interno Bruto) e os números do IPC (Índice de Preços ao Consumidor).

Fundador da AP Exata, Sérgio conta que é possível identificar tendências e predisposições sobre vários temas dentro das redes com base no recolhimento e na análise de dados, inclusive monitorar a avaliação e popularidade do governo pela população, de acordo com períodos específicos e detectar os chamados ‘bots’ do Twitter, contas falsas automatizadas com o objetivo de disseminar desinformação e promover o discurso de ódio nas redes.

Com a ajuda de algoritmos, ele ressalta, a ferramenta possibilita até mesmo obter “uma assertividade muito interessante na análise dos sentimentos das pessoas que publicam nas redes”.

“Nós temos uma espécie de dicionários de palavras, então sempre que uma palavra conota emoção a Inteligência Artificial identifica isso e faz uma associação ao substantivo que está presente ali na frase.”

Ambos os especialistas afirmam que se nota um crescimento do uso de dados tanto no jornalismo como na área da comunicação, em geral, e que o mercado tem demandado cada vez mais esse tipo de serviço.

Alunos de Jornalismo inovam e produzem telejornal remoto na pandemia

Thayna Batista

Estúdio, iluminação, cenário e todos os equipamentos profissionais necessários eram os recursos que os alunos do quinto semestre de jornalismo esperavam contar para a produção do telejornal “MackNotícias”. Mas foi em março, com apenas algumas imagens e sonoras gravadas, que eles precisaram se adaptar e reorganizar o projeto, por conta do isolamento social. 

Para Ana Beatriz Dias, estudante de jornalismo e apresentadora dessa edição especial, a mudança mais drástica, e que acabou gerando a maior dificuldade do projeto, foi a realização da apresentação em casa. A ideia inicial de um falso chroma key acabou não dando certo, e a estante de livros do quarto passou a ser o cenário. “Acredito que trouxe mais proximidade, trazendo aquele ar caseiro tão presente nas entrevistas e apresentações que aparecem na TV, no momento atual”, comenta a estudante.

Vanderlei Dias, professor da disciplina e editor do MackNotícias, conta que os materiais gravados pré-isolamento e a colaboração absoluta dos alunos, desde a produção até a edição, foram de extrema importância. Apesar da necessidade de alguns ajustes, como a abertura e o acréscimo de alguns comentários sobre a pandemia, o professor afirma não ter sentido nenhuma dificuldade: “não houve nenhum momento em que falamos ‘vamos cancelar’”.

Experiência remota em Audiojornalismo é bem avaliada por estudantes

Thayna Batista

Em apenas quatro semanas, os 14 alunos da disciplina de audiojornalismo, em conjunto ao professor responsável, Vanderlei Dias, adaptaram todo o programa MackNotícias para a Rádio Mackenzie (on-line). 

A ideia já havia sido iniciada, algumas pautas já estavam até mesmo prontas, quando o afastamento social, decorrente da Covid-19, fez com que os alunos mudassem todo o foco para uma cobertura sobre a pandemia. É o que explica Duda Blumer, estudante de jornalismo e apresentadora desta edição. Para ela, as dificuldades referentes à produção a distância eram “algo para making off”, como a ausência dos equipamentos disponibilizados na universidade.

Vanderlei Dias, professor responsável pelo radiojornal, comenta também da extensão do programa para o visual, ganhando uma característica transmídia. “Além de ter ido para a Rádio Mackenzie (o áudio), a gente também produziu um vídeo”, explica o professor, que contava com o vídeo de Duda Blumer e as fotos dos alunos, enquanto eram exibidas suas respectivas matérias.