Já ouviu Foster the People hoje?

 

“A arte sempre vai se inspirar sobre o que está acontecendo no mundo naquele momento, sendo aspectos políticos ou não, bons ou ruins” (Mark Pontius), é a frase que inicia o post de hoje, falando de uma das bandas que mais mescla ritmos e busca trazer conceitos da atualidade em seu trabalho, o Foster the People. Se você é entusiasta de um bom indie pop sem medo de experimentar outros estilos, este post é seu! Prontos, mackenzistas?

Da esquerda para a direita: Sean Cimino, Mark Foster, Mark Pontius e Isom Innis.

“Chame do que você quiser”

O FTP é natural da Califórnia, Estados Unidos. Apesar de o grupo ter surgido em 2009, seu debut foi apenas em 2010, ano no qual nasceu a música mais conhecida do grupo até os dias atuais: Pumped Up Kicks. Misturando uma batida alegre e contagiante de indie pop com uma letra de peso – trazendo referências ao caso do massacre de Columbine, a canção viralizou e se tornou o maior sucesso do Foster até hoje. E inexplicavelmente, virou meme no Brasil, o que com certeza impulsionou ainda mais a popularização da banda por aqui.

 

Eu corro, eles correm, todos correm, e todos nós só estamos nos divertindo”

Mas nem só de sapatos caros vive o FTP: o álbum que traz Pumped Up Kicks junto de outras canções é o Torches, lançado em 2011, que flerta pelos caminhos da música alternativa, com pitadas de rock, música eletrônica e de pop, em dez canções “soltas” que podem ser ouvidas sem a profundidade de um álbum. Começando com os sintetizadores de Helena Beat até as palavras de encorajamento de Warrant, Torches traz quarenta minutos de composições sonoras divertidas, que com certeza podem ser bem aproveitadas em um final de tarde. 🙂

 

 

“Você é o que você quer ser?”

No segundo álbum de estúdio da banda, Supermodel, o indie pop feliz do primeiro trabalho é deixado de lado. Abre-se espaço para composições e melodias mais densas, tratando de temas como consumismo desenfreado e críticas em relação ao eu – em relação a si mesmo e ao mundo, tema que Mark Foster, vocalista e frontman da banda vêm colocando em holofote nos últimos trabalhos do grupo. Começando por Are You What You Want To Be? – que por sinal é uma dúvida cruel de muitos universitários, o álbum transita pelo pop mais amadurecido de Coming of Age, passa pelo violão à la bossa nova de Nevermind e chega em The Truth e Fire Escape, fechando o álbum em um grande tom de reflexão após quase cinquenta minutos de canções repletas de profundidade e significado.

 

 

“Desculpe o atraso, eu não queria vir”

Julho trouxe uma agradável surpresa musical vinda do FTP, Sacred Hearts Club, trabalho completamente experimental que poderia facilmente ser lançado nos anos 80 sem ninguém desconfiar que é de 2017. Em entrevista realizada com Mark Pontius, baterista da banda, ele cita que “o Sacred Hearts Club é um lugar para forasteiros, pessoas criativas que não se encaixam em modelos pré-concebidos e que querem pensar livremente, realmente mover montanhas, criar coisas novas.” Sintetizadores e anos 60 são as palavras-chave para definir o álbum, que começa com batidas eletrônicas e um peculiar hip hop em Pay the Man, com Static Space Lover exatamente no meio do álbum e sua deliciosa vibe anos 60, indo para o punk de Lotus Eater e finalizando com o romântico synthpop de III.

 

“As estações mudam e veremos o sol novamente”

Para finalizar, são poucos os músicos atuais que conseguem absorver os acontecimentos da contemporaneidade e coloca-los em música, seja de maneira descontraída em Torches, de uma forma crua e crítica como em Supermodel, ou como uma resposta repleta de positividade e encorajamento em Sacred Hearts Club. O Foster the People é uma banda que você, mackenzista, precisa conhecer, e se encantar por todo o conceito e arte colocado em cada álbum. ♥

Eduarda Ramos
Geminiana até demais pros padrões do signo, fã encubada de indie pop e entusiasta de memes. Diz que não beberá das águas, mas quando vê já está afogada nelas.