Isadora Williams faz história representando o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno

Jovem patinadora faz história em PyeongChang se tornando a primeira sul-americana a chegar em uma final da Patinação Artística nos Jogos Olímpicos de Inverno

Nascida nos Estados Unidos, no Estado da Geórgia, Isadora Marie Williams é filha da união entre uma brasileira e um norte-americano. Isadora naturalizou-se brasileira e aos 9 anos disse à mãe que gostaria de representar o Brasil na patinação artística. A jovem foi convidada representar o Brasil pela primeira vez aos 13 anos de idade, quando participou do Mundial Junior da Holanda, em 2010. Desde então, passou a treinar intensamente em busca do sonho de se tornar uma patinadora profissional. Isadora já fazia história com a bandeira brasileira desde 2012, quando foi a primeira patinadora artística a ganhar uma medalha pelo Brasil em uma competição internacional, conquistando o bronze na competição Golden Spin of Zagreb.

Em 2013, Isadora faria história como a primeira patinadora artística a representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno. O torneio Nebelhorn Trophy servia como repescagem olímpica, Williams participou e terminou na 12ª posição, conquistando assim, a vaga para os Jogos Olímpicos de Sochi, na Rússia. Com apenas 18 anos na época, Isadora demonstrou um grande nervosismo durante a apresentação e acabou terminando em 30º, último lugar entre as atletas da competição.  A atleta passou por um período de depressão e pensou até em desistir do esporte, ficando meses sem entrar no rinque.  Isadora teve problemas para manter os treinos, passou a dar aulas de patinação nos Estados Unidos e realizou uma vaquinha online para ajudar a pagar um técnico de saltos.

A patinadora conseguiu então, vencer as dificuldades e amadureceu, continuando a treinar cada vez mais intensamente em busca da vaga para as Olimpíadas de 2018, em PyeongChang na Coreia do Sul.  Williams conquistou a primeira medalha de ouro para o Brasil na modalidade em uma competição de nível internacional em fevereiro de 2017, no torneio Sofia Trophy. No Nebelhorn Trophy de 2017, Isadora ficou em 5º lugar, garantindo a participação nas Olimpíadas de Inverno de 2018.

Isadora na apresentação do programa curto em PyeongChang

Em PyeongChang, a jovem patinadora artística fez história mais uma vez. Williams foi a Segunda atleta a se apresentar no programa curto (1 fase). Ao som de “Hallelujah” a atleta fez uma apresentaçao estonteante, parecia flutuar no rinque. A representante brasileira obteve 55,74 de pontuação, uma nota espetacular que garantiu a inédita classificação ao programa longo (final da modalidade). Isadora tornou-se a primeira patinadora sul-americana a participar de um programa longo na história dos Jogos Olímpicos.

Infelizmente, o nervosismo atingiu Isadora na apresentação do programa longo e a patinadora não conseguiu realizar a coreografia como havia treinado. A atleta não conseguiu manter o nível daapresentação do programa curto, acabou caindo depois de um salto ainda no primeiro minuto da coreografia. Williams recebeu 88,44 pontos, chegando aos 144,18 no total (somando com os 55,74 do programa curto) ficando na 24ª (e última) posição. Isadora sentiu a pressão por ser a primeira brasileira a chegar em uma final do programa individual de patinação artística em uma Olimpíada de Inverno.  Nos Jogos de Inverno em Pequim, em 2022, Williams terá 26 anos, o que a própria patinadora considera como uma idade “avançada” para seguir competindo nos Jogos, já que a média de idade das atletas é de 19 anos e muitas se aposentam antes dos 26 anos.

Para Douglas Porto, aluno de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Isadora Williams é um exemplo de determinação a ser seguido. Mesmo nascendo e vivendo toda a vida nos Estados Unidos, escolheu representar sua segunda nacionalidade, a brasileira. Ainda não dispondo de muitos recursos, treinou e se classificou para a sua segunda Olimpíada, onde já garantia históricas marcas, como a primeira atleta da América Latina a competir na patinação artística em Jogos Olímpicos de Inverno. Fez uma brilhante apresentação no programa curto, onde alcançou o 17º lugar e se classificou para o programa longo. Apesar de não ter se saído bem nas finais da competição, orgulhou sua nação. Isadora deve sim continuar sua carreira e fazer história com o seu legado Olímpico. O Brasil só tem a agradecer por sua opção em defender a bandeira nacional e elevar seu nome internacionalmente.

 

Paulistana apaixonada por esportes, principalmente futebol. Ama ler,escrever e conversar. Fã de Maroon 5, Game of Thrones e chocolate.