Isabel Rocha

Perfil de Isabel Rocha

“Eu não sei, às vezes eu olho pra mim e vejo uma pessoa que ficou muito criança, não no sentido de ser imatura, no sentido de ter muita alegria de criança; eu acho que eu sou uma pessoa muito alegre. Às vezes eu fico triste, tenho vários problemas, mas eu estou sempre muito alegre, eu tenho amizade com criança e eu acho que é isso que me diferencia, ser muito alegre… não gosto de ver coisa ruim, sempre gosto de ver o lado bom”. É desta forma que Isabel, de 18 anos, e de personalidade doce e acolhedora, se vê e se diferencia dos demais.

A moça que veio do sul de Minas Gerais para São Paulo conta como foi essa mudança para ela. Na época, chamaram meu pai pra vir pra uma igreja aqui em Santo André, e pra mim era uma realidade muito diferente porque lá eu ia para colégio público, o pessoal ia pro colégio de carroça e eu ia estudar aqui no Mackenzie. Como meu pai é pastor, eu tenho bolsa aqui. Eu estudava no colégio e o pessoal vinha de carro e até me zoava por causa do sotaque. Na igreja também foi bem difícil porque na minha igreja, em Minas, o pessoal ia de chinelo, eram bem simples e aqui na minha igreja o pessoal é voltado muito pra essa questão de aparência, isso me incomodava muito até então”.

Isabel, também tem uma personalidade muito determinada e conseguiu passar por cima das dificuldades que enfrentou ao se adaptar. E ela nos conta porque continuou na família mackenzista desde o colégio até a faculdade. Primeiro por causa do curso, porque o curso de jornalismo aqui é muito bom, mas também porque, não sei, eu sou muito apegada a este lugar. No colégio, eu participava da capelania, de alguns projetos voluntários, e eu quis continuar nisso. Até agora, a gente tem o acampamento do Mackenzie, pra cuidar de crianças carentes e de índios, e eu não queria que eu acabasse perdendo esse vínculo, tenho vários amigos aqui, conheço muita gente e eu gosto disso, de cada vez ter mais amigos”.

“ ‘Quando a tirania é lei, a Revolução é ordem’; esta frase, é de um texto que escrevi aqui pro MackPro, acho que é o que está mais acontecendo comigo. Estou tentando quebrar vários padrões, em vários lugares, por exemplo, na Igreja tentar mudar algumas coisas que são diferentes, aqui também, tentar mudar algumas coisas, colocar opinião, sabe? Mudar aquilo que tá fechado. Isso é o que tá acontecendo comigo, com todo mundo aqui, tentando revolucionar”.

A estudante de jornalismo, faz a diferença no mundo, junto ao trabalho voluntário no Mackenzie. E como sabemos, cada experiência dentro de um voluntariado é diferente e emocionante, e ela nos conta qual foi a experiência mais marcante. “A que eu mais gostei foi a desse ano mesmo; faz umas duas semanas que eu fui trabalhar num acampamento de crianças carentes e alguns índios, porque eu tinha ido num acampamento das crianças aqui do Mackenzie mesmo e elas são muito ricas, e eu criei amizade com eles, mas as crianças carentes era uma questão diferente, eles me abraçavam com carinho, com amor. Você percebia que faltava isso neles, um tratamento diferente. Aí um dos indiozinhos ficou muito triste um dia e ninguém tava dando muita atenção pra ele, aí eu fui até lá e perguntei o que aconteceu, aí ele disse ‘eu estou muito triste porque eu estou aqui e meus amigos estão lá na aldeia trabalhando’, mas eu disse ‘aproveita porque você só tem mais um dia, amanhã você volta pros seus amigos’, e ele ficou tão feliz que eu dei atenção pra ele, que no dia seguinte, em uma das bexigas do acampamento, ele escreveu o nome dele em tupi e em português, que é Wilson, e me deu de presente, e depois me falaram que, quando um índio te dá um presente, é porque ele realmente gostou muito de você, que você é uma pessoa importante na vida dele e eu fiquei muito feliz de ter sido diferente na vida de alguém, de alguém ter se importado, é que a gente tem vários amigos, mas essa pessoa ter se importado com você, é incrível… Eu esvaziei a bexiga e guardei, fiquei com dó de jogar fora”.

Escrito por Matheus Negrão

Foto por Matheus Negrão