II Workshop de Jornalismo Esportivo

A segunda edição do Workshop de Jornalismo Esportivo da EEFUSP Júnior (Escola de Educação Física e Esportes da USP) aconteceu nesta sexta-feira, 27, e contou com a presença de grandes personalidades do ramo.

Na primeira palestra, Gabriela Moreira, da ESPN, contou um pouco sobre sua trajetória na profissão e como é a vida da mulher em uma área que ainda é muito restrita aos homens. Antes de trabalhar com o esporte, Gabriela atuava em coberturas policiais. Segundo ela, essa experiência tem grande influência em suas práticas jornalísticas hoje em dia, nas quais o medo de fazer perguntas polêmicas e receber respostas desagradáveis não está presente justamente por conta da “casca” adquirida com a cobertura policial que fazia.

A respeito da presença feminina no mundo esportivo, Gabriela conta algo muito interessante sobre a iniciação da mulher no ramo: de acordo com pesquisas, enquanto os meninos começam a praticar futebol por volta dos cinco anos, as meninas têm seu início mais tarde, aos onze. Por conta disso, as mulheres acabam com problemas de coordenação motora e não conseguem jogar no mesmo nível que os homens.

Debate sobre Jornalismo Esportivo

No segundo bate-papo do dia, o tema foi a informação e o entretenimento no Jornalismo Esportivo. Paulo Calçade (ESPN), Renato Tortorelli (Rádio Mix), André Barros (Desimpedidos), Roberta Nina (Canal Dibradoras) e o mediador Ary Rocco compuseram a mesa.

Entre os assuntos discutidos, a dominância do futebol no meio e o espaço para debate de outros esportes gerou uma bela discussão. Indiscutivelmente, o futebol é o esporte mais popular do país e por isso é muito interessante para as emissoras abordá-lo de forma mais profunda que os demais pois a audiência é maior.

Para uma emissora de televisão se sustentar, é necessário dinheiro. Assim, não vale a pena dedicar-se igualmente em diversos esportes sendo que isso não trará o mesmo retorno que o futebol traz. No entanto, segundo Ary Rocco, a ESPN provou que é possível atingir grande sucesso com outros esportes, como a NBA, NFL e surfe, que cresceram muito nos últimos anos e agora trazem retorno e audiência à emissora.

De acordo com André Barros, a sociedade está cada vez mais se dividindo em nichos, grupos, e por isso o YouTube se mostra uma plataforma muito promissora. Nele, não faz sentido haver canais que abordem diversas modalidades esportivas, mas sim um canal para cada esporte, justamente por conta da divisão que está ocorrendo na sociedade.

Falando por experiência própria, André afirma não ser vantajoso ao Desimpedidos, um canal puramente futebolístico, falar sobre basquete, por exemplo. O Desimpedidos atingiu tamanha dimensão porque discute o esporte mais popular do país da maneira que a população faz, com muito humor envolvido. Não existe porque mudar e correr o risco de haver uma queda na audiência e na popularidade do canal.

O evento contou ainda com mais duas palestras sobre assessoria de imprensa e o Jornalismo Esportivo em diferentes meios.

Para Rafaela Rossi, estudante da Universidade Presbiteriana Mackenzie, as palestras foram uma ótima oportunidade de ganhar experiência e ter contato com os profissionais do ramo. “Eu adoraria voltar no ano que vem. Os temas abordados foram muito relevantes e me mantiveram atenta a todo instante”, disse.

Palmeirense apaixonado por esportes. É o melhor entretenimento do mundo!