O jogo ideológico nas agências de notícia

Já parou para pensar em como as informações jornalísticas são divulgadas pela mídia? Quais são os veículos responsáveis pela demanda de matérias? E qual seria o critério utilizado para definir a importância de determinado assunto? Muitas dessas perguntas podem ser respondidas se analisarmos o trabalho das agências de notícia! Ficou curioso? Então deixa eu te contar um pouco mais sobre esse tipo de empresa.

As agências de notícias são instituições especializadas em difundir informações diretamente das fontes para os veículos de informação. Ou seja, os grandes veículos precisam dessas agências para produzir conteúdo. A ordem é simples: agências – veículos – público. Assim, tudo que o público consome foi predeterminado por uma série de “filtros” noticiosos. São exemplos de grandes agências na atualidade: Reuters, BBC Brasil, Globo News, G1, entre outras.

Com a existência desses “filtros”, portanto, é questionada a abordagem dessas empresas noticiosas. Desde o seu início, datado em 1835, as agências de notícias são criticadas por um colonialismo ideológico e cultural. Por serem o principal porta-voz internacional, é necessário que o conteúdo adquirido seja heterogêneo e abrangente. Porém, não é esse o caso. Em geral, as agências são consideradas seletivas por optarem por destacar notícias de primeiro mundo. O debate de tal colonialismo não é recente, mas o problema persiste.

No cartaz: “Eu sou Charlie, mas não esqueçamos das vítimas do Boko Haram”.

São observados exemplos atuais de tal preferência noticiosa. O atentado ao Charlie Hebdo, em 2015 na capital francesa, coincidiu com a seita islâmica Boko Haram na Nigéria que deixou mais de 2.000 mortos. Porém, pode se observar que a cobertura jornalística optava por insistir na tragédia em Paris, deixando o massacre na Nigéria como uma nota rápida. Os dois acontecimentos são, de fato, trágicos e causam comoção. Mas a questão é: Por que um tem que ter mais destaque que o outro?

Tal preferência atinge, diretamente, a opinião pública. O receptor da informação é influenciado por aquilo que é apresentado. Se há um colonialismo cultural nas principais fontes de informação, a consequência tende a criar um público carente de interesse naquilo que não é de primeiro mundo.

O consumo do público depende da ideologia apresentada.

A redação conversou com a professora de ética jornalística da Universidade Mackenzie, Lenize Villaça, sobre o assunto para tentar entender melhor a insistência dessa prática. Lenize, formada em relações públicas, considera que as agências trabalham em prol das empresas que defendem. “O interesse da agência passa muito por quem paga o salário e o patrocinador”.

Para ela, as agências deveriam ficar isentas, mas ao mesmo tempo precisam pagar o salário dos funcionários. “O jogo é você conseguir equilibrar e conseguir um patrocinador que apoie um jornalismo mais isento. Mas sabendo que o jornalismo isento não existe”.

Lenize, também, reforça a ideia do questionamento do público em relação as informações disponibilizadas. “As agências tem um público, tem para quem desovar. O que a gente tem que questionar é como ela se pauta”.

Camila Oliveira

Paulistana de berço mas o coração é um pouco de cada lugar que passei. Sou uma mistura de momentos, experiências e tenho muita história para contar. “Life isn’t about waiting for the storm to pass. It’s about learning to dance in the rain”.