Geni

Elisabetta Policante - 1896. (minha tataravó)
Elisabetta Policante – 1896. (minha tataravó)

Olhos azuis que não cabem no oceano…

Na vitrola antiga, a agulha riscava o disco que cantava e contava a vida do caipira paulista. E ela se transportava… Se transportava para sua infância, sua vida na roça, perto de sua família e a simplicidade da alegria.

Apesar da vinda para a cidade, Geni mudara pouco ou quase nada – “procê”, “almocemo”, “ismagrecê”, enchiam seu vocabulário de qualquer coisa doce e de qualquer coisa de vó.
Pudim, macarronada e café da tarde.
enquanto eu e ela nos preparávamos para assistir mais um folhetim das seis.
Escovava meus cabelos, colocava bobs so seus para os cachos dourados formar.

Ah, vózinha, que saudade do seu cheiro, do som da sua válvula, que já sinalizava a saúde fraca, de uma mulher tão guerreira de corpo e alma.

Como eu queria que pedras não tivessem lhe tacado por ser Geni; como eu queria mais histórias poder ouvir; como eu queria poder comemorar o seu septuagésimo aniversário perto de ti.

Geni, dona Gema, vó, eu te amo do tamanho dos seus olhos!