Família é bom!

Família é bom. Como gosto de passar um tempo na casa dos meus familiares! Mas antes de falar sobre família, gostaria de falar sobre parentes – Há diferenças!

Parentes são aqueles que encontramos no casamento de alguma prima distante ou no velório de alguma tia velhinha. Parentes, apesar de partilhar do mesmo sangue, não sabem do que a gente gosta de comer ou assistir. São pessoas com quem não temos assunto, que, quando sentados ao redor da tediosa mesa da festinha de aniversário de alguma priminha, perguntam-nos religiosamente: “…e a faculdade, tá gostando?” ou “…e as namorada, já arrumou?” Parentes são estranhos que possuem o mesmo sobrenome que o nosso.

Família é diferente. Família gera saudade, família se lembra da data do nosso aniversário sem que o Facebook os avise. Família nos surpreende com uma bacia de arroz doce em um domingo à tarde. Família nos convida pra jantar e lava nossa louça após a janta. Família nos empresta roupa de vez em quando e, de vez em quando, pegam nossas roupas sem pedir. Família nos ensina a dirigir e quando viaja, sempre nos traz presentinhos vindos de longe. Família é bom.

Tenho familiares que moram perto de mim e outros que moram bem longe. Vejo estes últimos todo final de ano. Passamos sempre o natal e o réveillon juntos. Quando nos reunimos, nada de extraordinário nos ocorre, agimos como família. Simples assim! Tornamo-nos o que gostaríamos de ser o ano todo, mas por causa dos trabalhos e da distância, só podemos ser nos finais de ano.

Fazemos o que todas as outras famílias do mundo fazem: comemos muito, rimos uns dos outros, e nostalgicamente, lembramos de histórias de nosso imperfeito, porém cômico pretérito. (Se fosse perfeito não seria cômico).

Neste ano, algo com que eu não estava muito familiarizado aconteceu. Antes de ir visitá-los, eles vieram me visitar. Entre abraços e risos, fomos mortificando aos poucos a familiar saudade que nos separa. Segunda-feira, por exemplo, fiquei até às duas horas conversando com meu tio. Falamos de política, literatura, viagens, carros, tecnologias, de Jesus e muitas outras coisas. Conversamos até os nossos olhos irem se fechando lentamente, mas pela companhia um do outro, resistimos até o fim, pois quando se tem família que mora longe, são raras estas oportunidades.

Há algumas semanas, eles se foram, levando consigo não só o cansaço do corpo e as malas da viagem, mas também um pouco daquilo que gostaríamos de ser, mas somos só em dezembro e janeiro.

Na próxima vez que eu os encontrar, não farei nada incomum, apenas aproveitarei do ser família. Certamente, não deixaremos que um parental silêncio nos cale. Diariamente iremos nos familiarizar. Família é bom e morre cedo.

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Matheus de Siqueira Nunes

Um apaixonado por futebol, que assiste basquete semanalmente, joga truco ocasionalmente e tenta viver poeticamente…