A escravidão silenciosa do século XXI

Texto: Rebecca Gomes

A dura escravidão que assolou a África Subsaariana entre os séculos XVI e XIX está de volta nos tempos atuais. O que ninguém imagina é que além disso ocorrer bem debaixo dos nossos narizes, as vítimas são as mesmas: os negros africanos. Níger, Gana, Nigéria e Ruanda são alguns dos países que mais sofrem com o tráfico de pessoas.

Muitos jovens africanos, em sua maioria negros, partem rumo à Europa visando a melhores condições de vida. Contudo, o que acontece é que muitos deles esperam cruzar o Mediterrâneo e não chegam sequer à metade do percurso. Acabam detidos pela milícia da Líbia, graças às novas medidas tomadas pela União Europeia.

Trata-se da operação Sophia. Essa operação financia o controle de fronteiras da Líbia e os migrantes ficam detidos. Em função disso, os escravos são vendidos para poderem trabalhar, mas contraem dívidas intermináveis. Apesar de existirem ONGs, as quais exercem trabalhos voluntários, denunciando essa escravidão moderna, pouco se lê a respeito na mídia internacional.

O assunto só ganhou repercussão nos últimos dias quando a CNN (Canal a Cabo de Notícias norte-americano) recebeu o registro de um leilão realizado no país, evidenciando a comercialização de homens, mulheres e até mesmo crianças negras. Além de estarem sujeitos a condições

mínimas de saúde e higiene, são anunciados em uma cruel objetificação, como “jovens belos e fortes, prontos para o trabalho campestre”.

Embora existam relatos de refugiados que conseguiram escapar do tráfico, alguns dizem que as mulheres são constantemente abusadas sexualmente e as vítimas dessa máfia têm como única função servir seus “donos”. Quando não arrecadam o dinheiro imposto por eles, são proibidos de comer.

A ONU (Organização das Nações Unidas) discute a problemática em reunião de emergência do Conselho de Segurança. A França também pediu sanções contra os responsáveis pelo leilão. Mohamed Bamba, de 24 anos, um jovem costa-marfinense resgatado junto a outros 499 compatriotas afirma que muitos militares de seu país acreditam serem os negros “amaldiçoados por Deus”.

Fred Muvunyi, em artigo para o UOL (Universo Online), explica que: “Todos nós somos seres humanos que carregam consigo a imagem divina. Nós também devemos reconhecer e agir contra todas as formas de racismo que reduzem a humanidade a uma mercadoria”.

A Líbia então é um país controlado e movimentado por grupos armados com pensamentos inflexíveis e totalmente incompatíveis com a dignidade humana. O mais triste, porém, é que esse é apenas um entre milhares de casos no mundo que violam os direitos humanos de seus cidadãos.

Se você quer saber mais sobre viagens voluntárias em causas como esta, clique aqui.

Camila Oliveira

Paulistana de berço mas o coração é um pouco de cada lugar que passei. Sou uma mistura de momentos, experiências e tenho muita história para contar. “Life isn’t about waiting for the storm to pass. It’s about learning to dance in the rain”.